A realização do primeiro leilão de rubis e corindo em Moçambique representa um passo na estratégia de valorização dos recursos minerais do país, com o objectivo de aumentar as receitas fiscais, promover o processamento local de pedras preciosas e criar novas oportunidades de emprego. A iniciativa, realizada em Nacala, pretende reforçar a participação da economia moçambicana na cadeia de valor das gemas, reduzindo a dependência da exportação de minerais em bruto. Segundo o jornal O País, a transformação e a lapidação das pedras preciosas em território nacional poderão também estimular o turismo e proporcionar novas perspectivas profissionais à juventude.
A aposta na comercialização transparente dos recursos minerais foi igualmente defendida pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, que considera os leilões de produtos nacionais um instrumento para aumentar o valor das gemas moçambicanas. O governante pretende que o país avance para uma nova etapa, marcada pelo processamento interno dos minerais e pela criação de uma marca própria para os rubis de Moçambique. Estas declarações foram feitas durante a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos, que acolheu a inauguração de uma exposição de Gemas e Metais Preciosos, integrada na oitava edição da Feira Anual de Gemas de Nampula.
O potencial económico deste sector é considerável. Moçambique figura entre os principais produtores mundiais de rubis, com destaque para a província de Cabo Delgado, onde se encontra o empreendimento mineiro de Montepuez. A exploração funciona ao abrigo de quatro licenças que abrangem uma área de 19.300 hectares, nas proximidades de um dos maiores depósitos de rubis do planeta, identificado em 2012 pela multinacional Gemfields. A riqueza destas jazidas coloca o país numa posição relevante no mercado internacional de pedras preciosas, embora o desafio continue a ser transformar essa abundância mineral em benefícios económicos mais abrangentes para a população.
Um dos exemplos mais expressivos do valor dos rubis moçambicanos surgiu em 2022, quando a empresa Fura Gems descobriu numa das suas minas uma pedra com 101 quilates em bruto. Depois de lapidada, a gema ficou com 55,22 quilates e alcançou 34,8 milhões de dólares num leilão realizado em Nova Iorque, tornando-se, segundo a informação divulgada, no maior e mais valioso rubi alguma vez vendido em leilão. O caso demonstra a dimensão financeira que estas pedras podem atingir nos mercados internacionais. Para as autoridades moçambicanas, a prioridade passa agora por assegurar que uma parcela maior dessa riqueza permaneça no país, através da transformação local, da criação de postos de trabalho e do aumento das receitas do Estado.



