O reconhecimento dos benefícios trazidos pela pertença à União Europeia regista no Luxemburgo um dos níveis mais elevados de todo o bloco comunitário, com 91% dos residentes a afirmar que o país beneficia da sua condição de Estado-membro — uma percentagem bastante superior à média europeia, fixada em 72%. Numa altura em que a instabilidade geopolítica marca o quotidiano internacional, os europeus voltam a olhar para a União como um pilar de estabilidade e segurança, com o apoio a uma política comum de defesa a alcançar máximos históricos. Os dados constam do mais recente Eurobarómetro e revelam um país profundamente ancorado no projecto europeu, onde 92% dos inquiridos se sentem cidadãos da União — o valor mais elevado do bloco, seguido por Portugal (89%) e por Espanha e Irlanda, ambas com 86%.
Num contexto mundial marcado pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Médio Oriente, 80% dos residentes no Luxemburgo encaram a União como uma força estabilizadora, contra 73% no conjunto do bloco. O apoio a uma política comum de defesa e segurança ascende a 88% no Grão-Ducado, ultrapassando a média europeia de 81%. A invasão russa da Ucrânia continua a ser percebida como uma ameaça à segurança europeia por 77% dos inquiridos no Luxemburgo, e três em cada quatro residentes defendem que a União deve continuar a apoiar Kiev até à obtenção de uma paz justa e duradoura. A confiança nas instituições europeias situa-se nos 55% no Grão-Ducado, contra 51% no resto da União, tendo como principal fundamento a protecção da democracia e dos valores fundamentais, apontada por 56% dos inquiridos.
As preocupações dos europeus reflectem cada vez mais a conjuntura internacional, com o conflito no Médio Oriente a surgir como principal questão a nível europeu (25% na União, 24% no Luxemburgo), seguido pela situação internacional em sentido amplo (23%). A nível interno, a habitação e o custo de vida continuam a dominar a agenda no Grão-Ducado, citados respectivamente por 51% e 38% dos inquiridos como os principais problemas do país. As opiniões sobre as grandes potências acompanham as tendências europeias: 81% dos luxemburgueses têm uma percepção negativa dos Estados Unidos, 82% da Rússia e 56% da China, enquanto a Índia recolhe 50% de opiniões favoráveis. O apoio ao euro atinge um patamar excepcional de 91%, bem acima dos 74% da média europeia, e 89% classificam como boa a situação económica nacional.
Quanto às prioridades de investimento do orçamento europeu, as preferências luxemburguesas afastam-se da tendência geral: enquanto na União lideram o emprego, os assuntos sociais e a saúde pública (41%), no Grão-Ducado é a segurança e a defesa que surgem em primeiro lugar com 46%, seguidas pela habitação (41%, contra 26% na média europeia) e pela educação, formação, juventude, cultura e meios de comunicação social (40%). O Eurobarómetro padrão 105, relativo à Primavera de 2026, foi realizado entre 12 de Março e 5 de Abril deste ano nos 27 Estados-membros, abrangendo um total de 26 415 cidadãos da União entrevistados presencialmente, dos quais 506 no Luxemburgo.


