Mais de duas toneladas de bens essenciais seguem rumo à Venezuela, destinadas às famílias mais fustigadas pelos sismos que abalaram o país em junho.
A operação nasceu de uma corrente de solidariedade montada no Grão-Ducado. Os números falam por si: sete paletes, 181 caixas, 2.166 quilos de ajuda humanitária. Tudo foi preparado, carregado e encaminhado para o aeroporto de Lisboa, em Portugal. Dali seguirá de avião até à Venezuela, para distribuição às pessoas mais duramente atingidas pela catástrofe.
No momento em que o camião era carregado, a emoção transbordava. «Conseguimos», ouviu-se, entre garantias de que a carga chegará ao destino final. Muitos deram tempo e energia dia e noite para o tornar possível.
A recolha foi conduzida pela associação Le Lien du Cœur. «Esta conquista é fruto de um verdadeiro trabalho de equipa», afirmou Marco Godinho, presidente da associação, em declarações ao Letzebuerg Hoje. O responsável sublinhou o orgulho por poder contar com uma comunidade tão solidária e empenhada.
O que foi reunido dá a medida do esforço. Donativos financeiros, sim, mas também géneros alimentares, artigos de higiene, fraldas para bebé, alimentos para lactentes, máscaras de protecção e material de primeiros socorros — entre muitos outros bens de primeira necessidade.
O contributo de vários dadores tornou tudo possível. A associação agradece o apoio de Yveth Perdomo, José Figueira, Linda Suárez e Bruno Santos, a par de inúmeros outros doadores. O Grupo Tavares cedeu os seus armazéns para o acondicionamento e a preparação das paletes, enquanto o gabinete MDS Architectes assegurou o acompanhamento logístico. Já a transportadora Trilhos Confiantes garantiu condições especialmente vantajosas para levar a carga até Portugal.
A tragédia que motivou esta mobilização não é pequena. Os dois sismos de 24 de junho, de magnitude 7,2 e 7,5, deixaram milhares de mortos e um rasto de destruição no centro-norte do país, com La Guaira e Caracas entre as zonas mais devastadas.
E agora? A missão não termina aqui. «Isto mal começou», sublinham os responsáveis, que já preparam um segundo envio, com vestuário, calçado e outros artigos para bebés, crianças, mulheres e homens. Falta muito por fazer, e a recolha continua.
Boa parte do mérito cabe aos voluntários que separaram, embalaram e carregaram os donativos. «Juntos, podemos levar esperança a quem atravessa os momentos mais difíceis», resumiu Marco Godinho. A generosidade, garante a associação, faz toda a diferença.



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