A resiliência à seca ganha um instrumento financeiro à sua medida — e é o primeiro à escala global. Chama-se Drought Resilience Investment Facility (DRIF). Nasce de uma parceria entre o Luxemburgo e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), com o apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), e pretende mobilizar capital público e privado para a agricultura sustentável, a segurança hídrica, a recuperação dos solos e soluções baseadas na natureza. O anúncio foi feito na Mongólia, à margem da décima sétima conferência das partes da UNCCD, em Ulaanbaatar.
Os números explicam a pressa. A seca afecta já cerca de 40% das terras emersas do planeta, com efeitos cada vez mais pesados sobre os meios de subsistência, a segurança alimentar e o desenvolvimento económico. E o quadro agrava-se com a aceleração das alterações climáticas. Reforçar a capacidade de resistir a estes episódios deixou de ser opção para se tornar prioridade. É aqui que o DRIF quer intervir, funcionando como catalisador de financiamento onde o mercado, sozinho, dificilmente chegaria.
O Luxemburgo assumiu um papel de primeiro plano na criação do fundo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Europeus, da Defesa, da Cooperação para o Desenvolvimento e do Comércio Externo avançou com um financiamento inicial de dois milhões de dólares para a concepção e a estruturação da plataforma; o Ministério das Finanças entra com cinco milhões de euros como investimento âncora. «Enquanto parceiro fundador, o Luxemburgo orgulha-se de ajudar a fazer avançar soluções inovadoras contra a seca, um dos desafios mais prementes que as comunidades vulneráveis enfrentam em todo o mundo», afirmou o ministro Xavier Bettel, que sublinhou a intenção de construir resiliência «antes de a seca se transformar numa crise».
Para o ministro das Finanças, Gilles Roth, a ideia é simples: o dinheiro público pode atrair muito mais investimento privado para onde ele é urgentemente necessário. Em conjunto com a UNCCD, o país quer que o fundo transforme ideias promissoras em projectos investíveis e ajude a levá-los à escala necessária. O objectivo, resumiu, é «tornar possível o investimento na resiliência à seca onde o mercado, sozinho, não nos levaria». O gesto inscreve-se num compromisso mais vasto com o multilateralismo, a finança sustentável e a cooperação internacional — o Luxemburgo mantém a meta de canalizar 1% do rendimento nacional bruto para a cooperação para o desenvolvimento e a acção humanitária, alinhado com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.



