A escassez de profissionais de saúde continua a ser um dos principais obstáculos à melhoria dos cuidados médicos em São Tomé e Príncipe, apesar dos progressos registados na vacinação, no combate à malária e na formação de novos médicos. O alerta foi deixado por Abdoulaye Diarra, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defendeu a necessidade de aumentar o número de trabalhadores do sector e, simultaneamente, melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. Segundo o jornal Téla Nón, Diarra reconheceu os avanços alcançados pelo país, mas advertiu que persistem dificuldades estruturais. «Fizemos muito, mas ainda há muito a fazer», declarou durante um encontro com a responsável pela pasta da Saúde.
O reforço dos recursos humanos, o financiamento do sistema nacional de saúde e a melhoria dos meios de diagnóstico estiveram entre os assuntos abordados pelo representante da OMS nas reuniões com as autoridades são-tomenses. Abdoulaye Diarra reuniu-se com o ministro da Saúde, Celso Matos, para avaliar os resultados da cooperação desenvolvida nos últimos anos. Entre as realizações destacadas encontra-se a formação de 39 médicos destinados a assumir responsabilidades na liderança dos cuidados de saúde primários. Diarra elogiou também a elevada cobertura vacinal do país e o apoio técnico prestado pela OMS na elaboração de documentos estratégicos. O financiamento continua, contudo, a exigir respostas. Na sua avaliação, a implementação de uma estratégia nacional poderá permitir uma mobilização mais eficaz dos recursos disponíveis e diminuir gradualmente a dependência da ajuda internacional. «Quando esta estratégia nacional for implementada, o país poderá beneficiar mais do financiamento da saúde e depender menos dos parceiros», afirmou.
Os progressos no combate às doenças transmissíveis constituem outro sinal positivo para a saúde pública são-tomense. De acordo com o Téla Nón, Abdoulaye Diarra destacou a redução da incidência da malária, considerando que esta evolução alimenta a esperança de uma futura eliminação da doença. Foram igualmente mencionados os esforços para eliminar a filariose linfática enquanto problema de saúde pública e as iniciativas destinadas a impedir a transmissão do VIH de mãe para filho. O representante da OMS esclareceu, porém, que a eliminação da filariose ainda não foi oficialmente reconhecida, uma vez que depende do cumprimento de critérios técnicos específicos. Os resultados alcançados exigem, por isso, continuidade no acompanhamento epidemiológico, na prevenção e na capacidade de resposta dos serviços de saúde.
A saída de Abdoulaye Diarra, prevista para o final de Outubro de 2026, acontece num período em que São Tomé e Príncipe procura consolidar os avanços do seu sistema de saúde. O representante da OMS deverá regressar à República do Mali depois de terminar o mandato, deixando como prioridades o reforço dos profissionais, a sustentabilidade financeira e a continuidade dos programas de prevenção e tratamento. Antes da partida, agradeceu a colaboração do Governo, das equipas nacionais, dos parceiros internacionais e da população são-tomense. A mensagem central da sua avaliação é clara: formar mais médicos e assegurar financiamento estável serão passos decisivos para transformar os progressos já conseguidos em melhores cuidados de saúde para todos.



