Angola ocupa a 105.ª posição entre 110 países avaliados no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo (TTDI) de 2026, figurando como o sexto país com pior desempenho mundial no sector. Com uma pontuação global de 3,18, o país continua longe dos destinos mais competitivos, apesar dos esforços de promoção internacional da marca Angola. Segundo o jornal Expansão, que divulgou os resultados do relatório publicado em Setembro pelo Fórum Económico Mundial, Angola ficou apenas cinco lugares acima do Mali, último classificado, enquanto o Japão conquistou a primeira posição. O resultado surge numa altura em que as campanhas de divulgação do turismo angolano têm suscitado críticas quanto à sua eficácia e capacidade para atrair visitantes e investimentos.
A classificação reflecte dificuldades persistentes em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento turístico. O TTDI analisa cinco grandes dimensões: ambiente facilitador, políticas e condições favoráveis ao turismo, infra-estruturas e serviços, recursos turísticos e sustentabilidade. Dos 17 critérios avaliados, Angola conseguiu resultados positivos em apenas seis. O desempenho mais favorável registou-se precisamente na sustentabilidade das viagens e do turismo, categoria em que o país obteve avaliações positivas nos três subindicadores considerados. Ainda assim, estes resultados não foram suficientes para compensar as fragilidades identificadas nos restantes domínios.
A pontuação de 3,18 representa uma melhoria de 0,5 pontos face a 2024, mas mantém Angola abaixo da média internacional. A evolução revela algum progresso, embora insuficiente para retirar o país do grupo dos dez destinos com pior desempenho no índice. O relatório do Fórum Económico Mundial avalia não apenas a capacidade de atracção turística, mas também as condições estruturais que permitem desenvolver uma actividade económica competitiva, sustentável e resistente a crises. A posição angolana evidencia, assim, a distância que ainda separa o potencial turístico do país das condições necessárias para o aproveitar plenamente.
No contexto africano, o panorama também é pouco favorável. Angola surge na 18.ª posição entre os 23 países do continente incluídos na edição de 2026, superando apenas o Benim, o Maláui, os Camarões, a Serra Leoa e o Mali. As Maurícias, a África do Sul e o Egipto ocupam os primeiros lugares entre os destinos africanos avaliados. A comparação coloca em evidência os desafios enfrentados por Angola num mercado turístico cada vez mais competitivo, onde a promoção internacional precisa de ser acompanhada por melhorias concretas nas infra-estruturas, nos serviços e nas condições oferecidas aos visitantes.



