A dança tradicional cabo-verdiana ganha uma nova leitura em “Fêma”, espectáculo de dança contemporânea do coreógrafo e artista multidisciplinar Djam Neguin, que se estreia no Teatro-Estúdio António Assunção, em Almada, Portugal.
Integrada na 34.ª Quinzena de Dança de Almada, no âmbito da Plataforma Coreográfica Internacional – Programa 1, a criação conta com interpretação e cocriação de Suaila Lima e Djacky Évora. Segundo o Expresso das Ilhas, a obra parte da mazurca, expressão musical e coreográfica presente no arquipélago de Cabo Verde, para explorar as relações entre corpo, memória, tradição e identidade.
No centro da criação está também o papel das mulheres na preservação e transmissão das danças tradicionais cabo-verdianas. Djam Neguin trabalha a mazurca como um “arquivo vivo”, sujeito a desconstrução e reinvenção, cruzando o património cultural com imaginários futuristas e referências ao afrofuturismo. O género surge, neste contexto, como um território em permanente transformação.
O próprio título aponta para essa dimensão. Na língua cabo-verdiana, “Fêma” significa “mulher”, mas a palavra não surge no espectáculo como uma definição fechada. Funciona antes como ponto de partida para interrogar as representações e os papéis historicamente associados ao corpo feminino.
A estreia em Portugal coloca ainda a criação cabo-verdiana num palco de encontro internacional. A programação da Quinzena de Dança de Almada reúne artistas e companhias provenientes de várias geografias, incluindo Bélgica, Espanha, Países Baixos, Macau e África do Sul, abrindo espaço ao diálogo entre a produção artística de Cabo Verde e diferentes linguagens da dança contemporânea.



