A colheita de 2026 na Mosela luxemburguesa arrancou mais cedo do que em qualquer outro ano de que há memória, com cachos escassos mas de rara concentração aromática. O calor e a seca reduziram as quantidades. A qualidade, essa, promete ser excepcional, num millésime que já é apontado como fora do comum.
As primeiras uvas foram apanhadas a 17 de agosto, em Wintrange — um recorde de precocidade, num dos Verões mais quentes e secos da história vitícola do país. Desde o Inverno que a vinha avançou depressa por todos os estádios vegetativos. Os viticultores tiveram de combater o stress hídrico e regar as plantações jovens. Os bagos ficaram pequenos, saudáveis e muito concentrados, o que aponta para uma colheita abaixo da média. Com temperaturas mais amenas e chuva suficiente no final de agosto, o ano reúne condições para dar vinhos expressivos e de grande qualidade.
Martine Hansen, ministra da Agricultura, da Alimentação e da Viticultura, juntou-se à vindima nas vinhas do Instituto Vitivinícola, em Remich, ao lado de Claude Wiseler, presidente da Câmara dos Deputados, e de representantes do sector. «Este ano de 2026 foi um desafio para os viticultores», afirmou. «Ainda que as quantidades permaneçam reduzidas, podemos contar com vinhos equilibrados, generosos e expressivos.» A governante não fugiu ao tema do clima: «Já não podemos negar as alterações climáticas.» Anunciou ainda que o projecto de lei destinado a aliviar as formalidades do trabalho sazonal na agricultura, viticultura e horticultura segue o seu percurso legislativo e deverá chegar em breve à Câmara dos Deputados.
O Instituto Vitivinícola ocupa um lugar central neste esforço, da investigação aplicada ao aconselhamento técnico, das análises enológicas à introdução de castas resistentes. O vinhedo luxemburguês soma 1.165 hectares em produção, segundo o recenseamento vitícola de 2025, repartidos entre as cooperativas (43%), os viticultores independentes (37%) e os negociantes (20%). O Rivaner mantém-se como a casta mais plantada, seguido do Pinot gris e do Auxerrois, enquanto o Pinot noir e o Chardonnay ganham terreno ano após ano. Só em Remich, quinze explorações cultivam mais de 76 hectares de vinha.


