Sair de um conflito prolongado e erguer instituições democráticas capazes de resistir ao tempo não é tarefa que se copie de um manual. Foi esse percurso que uma delegação de responsáveis iemenitas veio estudar a Timor-Leste, entre 1 e 4 de setembro, num programa de aprendizagem entre países que atravessaram situações de fragilidade. A visita foi organizada pelo Secretariado do g7+, ao abrigo da cooperação Fragile-to-Fragile, com financiamento do Governo dos Países Baixos e participação da DeepRoot Consulting e do Centro Nacional Chega.
Os visitantes integravam o HIKMA Fellowship, programa de formação de líderes que reúne funcionários públicos no activo e antigos governantes, sociedade civil, academia, comunicação social e sector privado da sociedade iemenita, com o objectivo de reforçar competências nas áreas da paz, da governação e do desenvolvimento. Durante quatro dias, a delegação reuniu-se com o Presidente José Ramos-Horta, com o vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Económicos, Francisco Kalbuadi Lay, com o ministro do Interior, Francisco Guterres, e com o vice-presidente do Parlamento Nacional, Alexandrino Afonso Nunes.
Houve ainda sessões de trabalho com o Centro Nacional Chega, o Ministério das Finanças e o Banco Central de Timor-Leste, em torno da reconciliação e da justiça de transição, da segurança, da governação democrática e da gestão das finanças públicas e dos recursos naturais. Kalbuadi Lay defendeu que sem liderança nacional, instituições sólidas e investimento de longo prazo a estabilidade não se sustenta, e apontou a reconciliação com a Indonésia como decisão deliberada, viabilizada pela visão do primeiro-ministro Kay Rala Xanana Gusmão. «A estabilidade e o progresso nacional exigem uma visão clara, uma liderança responsável e um compromisso contínuo com a construção de instituições democráticas», afirmou. Ramos-Horta lembrou que não existe receita universal para a paz, enquanto Francisco Guterres resumiu o espírito do percurso: «Pensamos de forma diferente, mas somos todos timorenses».
Entre os ensinamentos partilhados destacaram-se o diálogo e a reconciliação, a consolidação das instituições democráticas, o Estado de direito, a coesão social e a gestão criteriosa dos recursos do país. A estada serviu para avaliar de que modo essa experiência pode ser útil ao contexto iemenita, e o encontro encerrou com sessões de reflexão destinadas a sistematizar as principais lições recolhidas.


