Uma noite de concertinas, zumba e rock and roll vai assinalar mais um aniversário de uma das colectividades portuguesas mais activas do sul do Grão-Ducado. A festa promete jantar, música e animação até de madrugada.
O Grupo Cultural e Apoio Social Differdange completa 29 anos e leva ao palco um cartaz que cruza tradição e irreverência. Marcam presença o grupo de concertinas Saudades Lusitanas e a energia da ZUMBA Los Amigos. A fechar, sobe ao palco Zé Fadoxa, sob o projecto Fadoxa One Man Show — um dos nomes mais insólitos da cena popular portuguesa do momento. A celebração está marcada para sábado, 7 de novembro, no Hall’O, em Oberkorn / Differdange.
Quem quiser jantar precisa de reservar. A ementa propõe coxas de frango com batata assada, por 30€, ou bacalhau à Braga, por 40€, com entradas e sobremesas incluídas e bebidas à parte. Para crianças dos 6 aos 12 anos, os valores descem para 20€ e 25€. Os sócios com quotas em dia, mediante apresentação do cartão, beneficiam de uma redução de 5€. O espumante e o bolo de aniversário são oferta da colectividade. As reservas fazem-se pelos números 621 438 049 (Filipe) e 671 197 901 (Sónia).
Mais do que uma data, o aniversário é lido pela direcção como um balanço de percurso. Em declarações exclusivas ao Letzebuerg Hoje, o vice-presidente sublinha que estes 29 anos representam «trabalho, dedicação, amizade, cultura e solidariedade», construídos por muitas mãos ao longo do tempo. Recorda os encontros, as iniciativas e também os desafios que a união do grupo permitiu ultrapassar. «29 anos só são possíveis quando existe compromisso, união e vontade de fazer a diferença», afirma.
O responsável faz questão de repartir a efeméride por todos os que passaram pela associação. «Este aniversário é de todos: dos que fundaram, dos que trabalharam, dos que apoiaram», acrescenta, deixando o desejo de que a colectividade continue «com a mesma força, amizade e vontade de fazer mais pela comunidade».

Zé Fadoxa, one man show com nova música no Luxemburgo
E o cabeça de cartaz é coisa para se ver, cantar, tocar guitarra e harmónica ao mesmo tempo,quando lhe dá, em cima de um skate — a fórmula parece improvável, mas é precisamente ela que tem enchido concentrações de motards e festas de aldeia um pouco por todo Portugal e em algumas paragens da Europa. Por detrás do nome artístico está João José Clemente, multi-instrumentista e mecânico nos tempos livres, dividido entre o palco e a paixão pelos motores.
A actuação não se resume ao rock, ao contrário do que muitos esperam. Há pimba, música popular portuguesa, fado, fado humorístico e imitações. Há coreografias. E há, sobretudo, gargalhadas. «Meto comédia, meto rock para o fim, meto coreografias», resume o próprio, em declarações ao Letzebuerg Hoje.
A música vem de longe. Os primeiros acordes aprendeu-os com o pai, na viola, ainda em criança, na zona da Praia de Mira. Depois vieram as bandas — os Gandras, os anos de rock — até perceber uma verdade dura do ofício: «os rocks não pagam as contas, o que paga é a música popular». Foi essa constatação que o empurrou para o registo cómico, com os Ganda Malucos, projecto inspirado no espírito dos Mamonas Assassinas. A primeira canção do grupo nasceu de uma anedota que o pai contava desde os tempos a seguir ao 25 de Abril. Já lá vão quase vinte anos.
O salto para o formato a solo tem uma data marcada: a pandemia. Foi durante o confinamento que Fadoxa ganhou forma, há cerca de quatro anos. Não por acaso. A crise sanitária levou-lhe as duas lojas de roupa que tinha, obrigadas a fechar, e a reinvenção tornou-se necessidade tanto quanto vocação. Do desassossego criativo — «tenho tantas ideias, tanta coisa dentro de mim» — saiu um artista que agora não pára. Chegou até à televisão, com uma passagem pela SIC, filmado num estúdio a andar de skate, viola e harmónica a acompanhar.
O calendário de setembro confirma esse ritmo. Esta sexta-feira, 4 de setembro, actua na zona de Oeiras. No dia 5 sobe a palco em Lourosa e marca ainda presença nas celebrações dos 25 anos do Chefe Santos. Segue-se o dia 11, com as festas de Leceia, e o dia 12, na Arrifana. Entre 10 e 13 de setembro, fecha o mês em casa, nas Tasquinhas da Praia de Mira, terra a que sempre regressa.
Há ainda um tema que aguarda estúdio. Chama-se «Aleluia», tem letra escrita pelo próprio e nasce de um lugar de gratidão. «A música não é minha, mas a letra eu escrevi», explica, associando-a à fé que diz atravessar toda esta fase da sua vida. A canção ainda não está gravada. A promessa é cantá-la ao vivo quando pisar palco no Luxemburgo — e essa promessa tem agora morada certa. Na região vive tanta gente oriunda da Praia de Mira que muitos lhe chamam, meio a sério meio a brincar, a Praia de Mira do Luxemburgo. Casa cheia, portanto, é aposta quase segura.


