O reforço do apoio à Ucrânia e uma pressão mais firme sobre a Rússia dominaram o último Conselho informal dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. Moscovo não dá sinais de querer baixar a tensão. E foi precisamente essa intransigência que levou os ministros dos Vinte e Sete a debater como apertar o cerco ao Kremlin, num encontro que juntou também parceiros de fora do bloco.
O formato Gymnich — a designação informal deste tipo de reunião — decorreu em Wicklow, sob presidência irlandesa. Aos ministros europeus juntaram-se os homólogos do Reino Unido, da Noruega, do Canadá, da Suíça, da Islândia e da própria Ucrânia, para a parte dos trabalhos dedicada à guerra. O Vice-Primeiro-Ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo do Luxemburgo, Xavier Bettel, participou nas conversas, que contaram ainda com a Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, e com a ministra irlandesa Helen McEntee.
Um ponto inquietou os presentes: os recentes ataques híbridos dirigidos contra vários Estados-membros. Uma evolução que ninguém no bloco quer ver normalizada.
O Médio Oriente ocupou a segunda metade do debate. Os desafios humanitários e de segurança na região continuam por resolver, e Bettel insistiu na necessidade de a União agir de forma unida e determinada. O responsável luxemburguês apontou dois focos: a expansão dos colonatos ilegais na Cisjordânia e a situação humanitária dramática em Gaza.
Ficou ainda em cima da mesa uma questão de fundo. Como tornar a acção externa europeia mais forte e mais eficaz, num mundo em mutação acelerada. A competição geopolítica cresce. O sistema multilateral é cada vez mais contestado. E é nesse terreno movediço que Bruxelas procura afirmar-se com uma só voz.


