Cinco séculos de pintura de paisagem chinesa reúnem-se agora em Macau, e resta pouco tempo para os apreciar. A mostra «Montanhas e Águas em Resposta» junta 65 obras — algumas em conjunto — dos séculos XV a XIX, muitas delas apresentadas pela primeira vez no território, e encerra no próximo dia 26 de julho.
O palco é o Museu de Arte de Macau, numa iniciativa do Instituto Cultural de Macau e do Museu Nacional da China. Este último detém um dos maiores acervos de arte chinesa antiga — perto de dez mil rolos de pintura e caligrafia — e cedeu para a ocasião um conjunto seleccionado de paisagens produzidas entre as dinastias Ming e Qing.
A selecção percorre as grandes escolas dos dois períodos: do lado Ming, as correntes Zhe, de Wumen e de Songjiang; do lado Qing, os chamados Quatro Wang, os Quatro Monges e as escolas de Jinling e de Yangzhou. Organizada em dois núcleos — um dedicado à contemplação da natureza, outro ao refúgio nos bosques e nas nascentes —, a exposição procura mostrar como os letrados antigos liam o mundo através da pintura, em busca de paisagens onde fosse possível caminhar, contemplar, vaguear e habitar.
A par das obras originais, há tecnologia. Uma experiência de realidade virtual recria as «Oito Vistas de Pequim», ao passo que versões dinâmicas de outras pinturas — entre elas a célebre digressão do imperador Qianlong pelo sul do país — permitem confrontar o pormenor digital com o traço real. Uma área interactiva sobre a antiga engenharia hidráulica completa o percurso, e os bilhetes-recordação, munidos de chip NFC, dão acesso a descrições e a guias áudio em cantonês e em mandarim.
Desde a abertura, no final de abril, já passaram pelo museu quase 30.000 pessoas, e as actividades paralelas — conferências, oficinas, visitas guiadas, concertos e demonstrações de pintura — atraíram perto de 5.000 participantes. Integrada no 36.º Festival de Artes de Macau, a mostra tem entrada gratuita e abre das 10h às 19h (sem admissão após as 18h30), encerrando à segunda-feira mas mantendo-se aberta nos feriados. As visitas guiadas realizam-se ao sábado, em cantonês, e ao domingo e feriados, em mandarim.


