Mais de setecentos participantes reuniram-se na Nova SBE em Carcavelos para a nona edição do EurAfrican Forum, um evento que juntou líderes políticos, empresariais e académicos de ambos os lados do Mediterrâneo. O tema, «Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation», soou ambicioso, mas o discurso de encerramento de António Calçada de Sá, presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, cortou retórica com pragmatismo: «Somos fantásticos em estratégia e em diagnóstico, mas temos de ser melhores na execução.»
A «Conversa entre Presidentes», que reuniu António José Seguro e Daniel Chapo, ilustrou a tensão entre a retórica da parceria e a realidade das relações euroafricanas. Seguro reiterou a intenção de Portugal como ponte entre os dois continentes; Chapo respondeu com uma exigência: África deve ser tratada como parceiro estratégico, não como beneficiária. A troca de palavras, educada mas firme, reflecte uma mudança de tom que se vai generalizando nos fóruns internacionais — os africanos deixaram de pedir, começaram a exigir.
Paulo Rangel, Ministro dos Negócios Estrangeiros português, trouxe números para a mesa. A população africana continuará a crescer, e com ela o número de falantes de português, que poderá ultrapassar os quinhentos milhões nas próximas décadas. Angola e Moçambique são os motores desta expansão demográfica e linguística. Rangel viu aqui uma oportunidade para a CPLP, mas também um aviso: se a Europa não reforçar as parcerias agora, perderá influência para outras potências que já investem no continente sem os complexos históricos da colonização.
Calçada de Sá prometeu um White Paper com as conclusões do fórum, convidando líderes a identificar projectos concretos. A promessa é boa, mas o histórico é desanimador: fóruns geram documentos, documentos geram comissões, comissões geram relatórios, e os relatórios acabam em gavetas. A próxima edição do EurAfrican Forum está já agendada para 2027. A pergunta que fica no ar é se, daqui a um ano, haverá algum projecto no terreno que possa ser apontado como fruto deste encontro — ou se Carcavelos será apenas mais uma bela fotografia de grupo.


