A soberania alimentar, a agroecologia e a justiça social vão sair da teoria e ganhar terreno concreto para quatro jovens voluntários residentes no Grão-Ducado, que em Agosto participam num dos maiores encontros mundiais da sociedade civil. O destino é Cotonou. O Fórum Social Mundial decorre entre 4 e 8 de Agosto de 2026 e reúne vários milhares de participantes vindos dos quatro cantos do planeta para debater os grandes desafios sociais, ambientais e democráticos do nosso tempo.
A selecção dos quatro jovens foi feita pela SOS Faim e o projecto é conduzido pela Teranga, a casa da transição alimentar criada pela mesma organização não-governamental. Segundo a SOS Faim, a iniciativa inscreve-se numa lógica de educação para a cidadania mundial e de mobilização da juventude em torno das questões alimentares e climáticas — matérias que, convém lembrar, raramente chegam ao debate público luxemburguês com a profundidade que merecem.
Hugo Ben Abdelkader, de 17 anos, Fatima Ezzahra e Romain Wilmes, ambos de 27, e Angelica Guia, de 29, chegam por caminhos diferentes. Ciências, cooperação internacional, ambiente, biologia, geografia: os percursos misturam-se. Alguns interessam-se sobretudo pela agroecologia, pela soberania alimentar ou pela preservação da biodiversidade. Outros movem-se pelas questões da justiça social, do acesso aos recursos e da transição ecológica. O denominador comum é a mesma vontade de agir por uma sociedade mais justa e mais sustentável.
E depois? Não se trata apenas de assistir. Para a SOS Faim e para a Teranga, esta participação representa uma oportunidade rara de os quatro perceberem melhor os laços que unem agricultura, alimentação, clima e justiça social, ao mesmo tempo que trocam experiências com jovens e organizações de vários países. Além do Fórum, está prevista a deslocação ao terreno, com o encontro de actores locais empenhados na transição agroecológica, nomeadamente através da visita à quinta agroecológica SAIN, parceira da SOS Faim no Benim.
A missão não termina no regresso do avião. Os participantes têm como tarefa documentar a experiência através de testemunhos, fotografias, cápsulas áudio, podcasts ou relatos, tornando acessíveis ao maior número possível de pessoas os ensinamentos recolhidos durante a imersão. Já no Grão-Ducado, partilharão o que viram e ouviram em actividades organizadas na Teranga, contribuindo para sensibilizar o público residente para as questões da soberania alimentar, da agroecologia e da solidariedade internacional. A ideia é simples e ambiciosa: transformar quatro jovens em correias de transmissão de informação.
Criada em 1993, a SOS Faim é uma ONG de desenvolvimento acreditada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Europeus do Luxemburgo, acompanhando 30 parceiros em seis países africanos com o objectivo de promover uma agricultura familiar sustentável, a agroecologia e sistemas alimentares mais resilientes. A Teranga, instalada em Schifflange, funciona como espaço de encontro, de experimentação e de sensibilização, juntando cidadãos, associações, jovens e agentes locais à volta da alimentação sustentável e das transições ecológica e social.


