A protecção do património natural e a afirmação da identidade cultural em Timor-Leste ganham nova expressão com um programa de voluntariado que percorre o país de norte a sul, levando jovens estudantes a explorar florestas, recuperar espaços históricos e plantar árvores em comunidades rurais. A iniciativa, conduzida pela organização Estudante Hadomi Natureza (ESHANA) em colaboração com a Universidade Nacional de Timor Lorosa’e (UNTL), procura responder aos desafios ambientais que o território enfrenta, ao mesmo tempo que valoriza as tradições locais e estimula a participação cívica das novas gerações.
A vise-coordenadora da ESHANA, Aurora de Oliveira Ximenes, sublinhou que as actividades promovidas pela organização cobrem a totalidade do território nacional. “As iniciativas que promovemos incluem visitas e explorações de floresta, a descoberta de locais históricos, a identificação de pontos turísticos e programações adicionais, como o plantio de árvores e acções de limpeza”, afirmou durante um encontro na Faculdade de Economia e Gestão (FEG) da UNTL, em Díli, acrescentando que a intervenção abrange todas as municipalidades, incluindo a capital.
Entre os projectos previstos para os próximos meses destaca-se a celebração do Dia Mundial do Ambiente, assinalado a 5 de junho, data que será marcada por um conjunto de actividades destinadas a reforçar a sensibilização ambiental. “Anualmente, promovemos actividades relacionadas com esta data, que tem por objectivo aumentar a sensibilização ambiental, especialmente durante este período crítico de alterações climáticas”, sublinhou a responsável.
Para Aurora de Oliveira Ximenes, o envolvimento dos jovens é determinante para enfrentar problemas que ultrapassam fronteiras. “Estamos a assistir a desafios globais, como as mudanças climáticas, e é crucial que os jovens se envolvam, elevando a sua consciência e participando activamente na procura de soluções para estas questões”, defendeu, considerando que a mobilização juvenil é um dos pilares da estratégia da organização.
A ESHANA conta actualmente com 472 membros, distribuídos por 276 séniores e 192 juniores, num universo composto por 212 rapazes e 260 raparigas. O crescimento da estrutura tem permitido alargar o âmbito das acções e aproximar a organização das comunidades mais isoladas, onde o contacto com a realidade local assume particular relevância para os participantes.
Nilvia Aleixo da Costa, membro da organização, considera que a experiência tem sido decisiva no seu percurso pessoal e académico, sobretudo pela proximidade com populações rurais e pelo conhecimento directo das tradições culturais do interior do país. “Tivemos oportunidade de interagir directamente com as comunidades que enfrentam divisões socioeconómicas e culturais. Através da ESHANA, somos capazes de aumentar o nosso conhecimento e habilidades, formando futuros líderes capazes de organizar actividades significativas”, concluiu.


