O estado da Flórida atravessa uma das crises de incêndios florestais mais graves da sua história recente. Com mais de 130 fogos activos a consumir pelo menos 21.000 acres de território, as autoridades admitem que 2026 pode tornar-se o pior ano em matéria de incêndios desde há mais de uma década. Segundo fontes do Letzebuerg Hoje no terreno, o Serviço Florestal da Flórida já respondeu a mais de 1.600 ocorrências apenas nos primeiros três meses do ano — mais de metade do número médio anual, que ronda as 2.400 a 2.500 ocorrências.
A origem da catástrofe reside numa combinação de factores que se foram acumulando ao longo de meses: uma seca prolongada que dura há mais de um ano, as geadas do início do Inverno que mataram a vegetação, os detritos secos deixados pelas últimas épocas de furacões e os ventos fortes que propagam rapidamente as chamas. De acordo com informações recolhidas pelo Letzebuerg Hoje junto de fontes locais, em finais de Fevereiro a Flórida atingiu 100% de cobertura de seca — um registo sem precedentes desde que os dados começaram a ser recolhidos, no ano 2000. O comissário de agricultura do estado, Wilton Simpson, não deixou margem para dúvidas: todas as condições se apresentam extremamente favoráveis a uma época de fogos muito activa.
O incêndio mais mediático é o denominado Railroad Fire, que lavra na fronteira entre os condados de Clay e Putnam, no nordeste do estado. Resultante da fusão de dois fogos distintos — o Crews Road Fire e o Railroad Complex Fire —, esta frente unificada cresceu de forma imprevisível e já consumiu cerca de 4.186 acres, estando apenas 55% controlada. Fontes do Letzebuerg Hoje junto das autoridades locais confirmam que, no auge da crise, as chamas ameaçaram mais de 1.500 habitações, três empresas e diversas infra-estruturas comunitárias. A gravidade da situação levou as autoridades federais a aprovarem, no mesmo dia, um pedido de ajuda financeira: a FEMA autorizou verbas para reembolsar até 75% dos custos elegíveis de combate ao incêndio.
No terreno, o esforço de resposta é colossal. Segundo o nosso correspondente na região, a Guarda Nacional da Flórida mobilizou seis helicópteros e respectivos tripulantes para apoiar o Serviço Florestal no norte e centro do estado. A este contingente somam-se recursos federais, incluindo aviões de grande capacidade de descarga de água, aviões cisterna e helicópteros de apoio aéreo. Fontes próximas das operações de combate ao incêndio indicaram ao Letzebuerg Hoje que, apenas no Railroad Fire, chegaram a estar em simultâneo 63 elementos, 36 tractores de lavoura, 10 veículos de combate e dois aviões de asa fixa em operação.
Os fogos não se limitam, porém, a essa região. Perto de Tallahassee, o chamado 139 Fire, que deflagrou em Março e arde em terrenos federais, é o maior incêndio individual do estado, com 6.499 acres queimados e apenas 50% de contenção. No condado de Broward, o Mile Marker 45 Fire já consumiu cerca de 6.500 acres e projecta densas colunas de fumo em direcção ao sudoeste da Flórida — situação acompanhada de perto pelo Letzebuerg Hoje, que apurou junto de residentes locais os sérios impactos sentidos nas regiões de Fort Myers e Nápoles. No condado de Levy, o Cow Creek Fire devasta a floresta estadual de Goethe com 1.600 acres destruídos e apenas 30% contido, mantendo estradas cortadas e ordens de evacuação ainda em vigor para alguns residentes, segundo informações confirmadas ao Letzebuerg Hoje por fontes da protecção civil local.
As autoridades apelam à população para que tome a prevenção a sério e colabore com as equipas de emergência. Os alertas de perigo máximo de incêndio — as chamadas red flag warnings — têm abrangido vastas regiões do estado, incluindo toda a área da Baía de Tampa. Com a época seca longe do fim e as condições meteorológicas a manterem-se adversas, as próximas semanas serão determinantes para o desfecho daquela que já é, segundo todas as fontes ouvidas pelo Letzebuerg Hoje, uma das crises ambientais mais sérias que a Flórida enfrenta neste início de século.


