Uma visita de dois dias à capital norte-coreana reacendeu os laços entre a China e a Coreia do Norte, com os líderes dos dois países a renovarem publicamente o compromisso de aprofundar a parceria bilateral. A deslocação de Xi Jinping a Pyongyang — a sua primeira visita oficial ao país desde 2019 — foi recebida com uma cerimónia de grande aparato, incluindo uma recepção em tapete vermelho e espectáculos acrobáticos elaborados.
Segundo a BBC, nenhum acordo concreto foi anunciado no final da visita, mas o significado político da deslocação foi reconhecido pelo próprio Kim Jong Un, que afirmou que a escolha de Pyongyang como destino da primeira visita de Estado do ano por parte do líder chinês demonstrava a “máxima importância” atribuída às relações bilaterais, de acordo com a agência oficial norte-coreana KCNA. A visita decorre num momento em que Pequim procura reafirmar a sua influência sobre um parceiro estrategicamente vital, mas imprevisível, que nos últimos tempos se aproximou de Moscovo.
Num banquete realizado na segunda-feira à noite, Xi Jinping elogiou as relações entre os dois países, afirmando que a China e a Coreia do Norte estão “unidas pelas montanhas e pelos rios e partilham um destino comum”, segundo a agência estatal chinesa Xinhua. A visita surge também poucas semanas depois de Xi ter reunido com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o Presidente russo, Vladimir Putin, o que, segundo a BBC, permite a Kim Jong Un demonstrar que mantém aliados de peso apesar das sanções internacionais que pesam sobre o seu regime.
O encontro reforça a leitura de que Pequim, através desta visita, pretendeu recordar a Pyongyang que a China continua a ser o seu principal benfeitor — uma mensagem com peso crescente num contexto geopolítico em que a Coreia do Norte tem diversificado as suas alianças, aproximando-se progressivamente da Rússia no contexto da guerra na Ucrânia.


