A participação das mulheres na construção do futuro de São Tomé e Príncipe esteve no centro de uma conferência dedicada às suas vozes, vivências e desafios, com particular atenção à saúde mental e reprodutiva, ao autocuidado, à formação e ao acesso aos espaços de decisão. Promovido pelo Ministério da Justiça e dos Direitos da Mulher, o encontro antecedeu o Dia das Mulheres de São Tomé e Príncipe, e reuniu participantes de diferentes sectores da sociedade. Segundo o jornal Téla Nón, a iniciativa procurou criar um espaço aberto de diálogo, partilha de experiências e valorização do contributo feminino para o desenvolvimento do país.
A participação social e política mereceu especial atenção. A ministra da Justiça, Vera Cravid, alertou para os obstáculos que o período eleitoral pode colocar ao envolvimento activo das mulheres e manifestou preocupação com a reduzida presença feminina nas actividades político-partidárias. Representantes da sociedade civil organizada, de vários ministérios, mulheres reformadas e profissionais de diferentes áreas participaram no debate, onde também se defendeu um esforço conjunto entre homens e mulheres para enfrentar problemas que condicionam a vida feminina. Liane Trovoada destacou a diversidade das participantes e a necessidade de encontros mais frequentes, enquanto Vera Cravid sublinhou a importância de ouvir as mulheres, compreender as suas experiências e permitir-lhes maior influência nas decisões que afectam as suas vidas.
A realidade familiar também entrou na conversa. Num país marcado pela emigração, muitas responsabilidades relacionadas com a educação e o acompanhamento dos filhos acabam por recair sobre as mães. Ester Will defendeu, neste contexto, iniciativas regulares de promoção do empoderamento feminino. O formato informal da conferência, semelhante a um «chá», abriu espaço ao convívio, à degustação de produtos nacionais e à troca de perspectivas sobre a condição da mulher em São Tomé e Príncipe. O autocuidado ganhou igualmente destaque, lembrando que a força demonstrada pelas mulheres no quotidiano não elimina momentos de fragilidade nem a necessidade de reservarem tempo para si próprias.
O encontro terminou com homenagens a mulheres distinguidas pelo trabalho desenvolvido no país. A doutora Edite Ten Jua foi reconhecida pelo empenho na defesa dos direitos das mulheres e das crianças, enquanto Elsa Pinto e a doutora Ana Maria Vera Cruz foram destacadas pelos contributos nas áreas da política, educação e inclusão social. A ministra da Educação, Isabel Abreu, partilhou igualmente a sua experiência durante a cerimónia. A conferência deixou ainda um apelo à afirmação das mulheres e à criação continuada de espaços onde a sua voz e participação possam ser valorizadas, de acordo com o Téla Nón.



