O reconhecimento de um percurso dedicado à investigação e ao ensino no domínio da infra-estrutura de vias férreas marcou um dos momentos mais simbólicos do principal encontro brasileiro do sector ferroviário, ao distinguir uma das figuras de referência da engenharia no país. A homenagem prestada à vice-reitora da Universidade de São Paulo (USP), Liedi Bernucci, sublinhou o peso da contribuição académica para o desenvolvimento técnico das ferrovias, numa área em que a articulação entre conhecimento científico e aplicação industrial se tem revelado decisiva.
A distinção foi atribuída durante a nona edição do Simpósio de Engenharia Ferroviária, realizado no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento reuniu cerca de 200 pessoas, entre investigadores, estudantes de pós-graduação e quadros das equipas de engenharia e de gestão de empresas do sector, e consolidou-se como um dos fóruns mais relevantes do Brasil para a divulgação dos principais estudos e avanços tecnológicos desenvolvidos no país. O simpósio foi concebido como um espaço de intercâmbio permanente entre a academia e as empresas ferroviárias, promovendo a partilha de resultados e a discussão de soluções para os desafios do sector.
A programação contemplou painéis técnicos e apresentações sobre temas estratégicos para o desenvolvimento ferroviário, incluindo debates sobre as oportunidades da mecatrónica aplicada às ferrovias e a apresentação de trabalhos científicos nas áreas dos veículos ferroviários e da interacção entre a roda e o carril. Foram ainda divulgados os resultados da Cátedra de Vagões e da Cátedra Roda-Trilho, dois núcleos de investigação que reflectem o esforço de aproximação entre a produção académica e as necessidades efectivas da indústria.
A organização do encontro resultou de uma parceria entre a Escola Politécnica (Poli) da USP, a Unicamp, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Santa Cecília (Unisanta) e o Instituto Militar de Engenharia (IME). De acordo com o Jornal da USP, a iniciativa procurou reforçar a cooperação entre instituições de ensino e investigação e o tecido empresarial, num sector em que a inovação tecnológica assume um papel central para a modernização das infra-estruturas de transporte.


