O tiro com arco oferece no Luxemburgo uma prática desportiva acessível a diferentes gerações, com clubes espalhados pelo país, possibilidades de iniciação sem compra imediata de equipamento e competição desde os escalões jovens até aos veteranos. A modalidade vive ainda um período de particular visibilidade no Grão-Ducado, depois da conquista de uma histórica medalha de bronze num Campeonato do Mundo e a poucas semanas de Strassen voltar a receber uma etapa do circuito mundial de sala.
Em entrevista exclusiva ao Lëtzebuerg Hoje, Tun Schlechter, presidente da Federação Luxemburguesa de Tiro com Arco (FLTA), apontou os 10 a 12 anos como uma idade aconselhável para começar. Mais do que força física, este desporto olímpico exige precisão, concentração, coordenação, postura e controlo do próprio corpo. Pode ser praticado individualmente, por equipas ou em pares mistos.
A FLTA está filiada no Comité Olímpico e Desportivo Luxemburguês (COSL), na World Archery e na Associação Internacional de Tiro com Arco de Campo (IFAA). De acordo com o directório do COSL, existem onze clubes no Luxemburgo: Arrow, em Dudelange; Bouscheisser, em Esch-sur-Alzette; Flèche du Nord, em Ettelbruck; Flèche d’Or, na cidade do Luxemburgo; Robin Hood, em Mondercange; Kiowa, em Rumelange; Guillaume Tell, em Strassen; Archers du Nord, em Troisvierges; Fine Flèche, em Walferdange; Mousel Archers, em Wasserbillig; e Diane, em Wiltz. A oferta abrange diferentes idades, das crianças aos maiores de 50 anos, e inclui actividades inclusivas.
Há três grandes tipos de arco. O arco nu é a opção mais simples, sem mira nem acessórios, privilegiando o chamado tiro instintivo. O recurvo, utilizado nos Jogos Olímpicos, pode incorporar mira e estabilizadores. Já o arco composto utiliza um sistema de roldanas, lupa e disparador mecânico. As provas também mudam de cenário e distância. Em sala, os arqueiros disparam habitualmente a 18 metros contra alvos de 40 centímetros. Ao ar livre, a distância olímpica do recurvo é de 70 metros, embora existam outras variantes.
Uma delas aproxima-se visualmente da caça, mas sem animais reais. Tun Schlechter explicou ao Lëtzebuerg Hoje que a caça com arco é proibida no Luxemburgo. Esta vertente é, por isso, exclusivamente desportiva e utiliza figuras tridimensionais de animais, os chamados decoys, colocadas em terrenos com diferentes características.
Experimentar não obriga a investir imediatamente em equipamento próprio. A FLTA aconselha os interessados a procurarem um clube federado, onde, regra geral, é disponibilizado material aos principiantes. A licença federativa torna-se necessária para quem pretende competir e é emitida após uma consulta de medicina desportiva. Existe ainda uma alternativa para uma primeira experiência: as Pousadas da Juventude organizam iniciações de duas horas em Echternach e Beaufort, com material incluído, por 20 euros para jovens entre os 12 e os 17 anos e 30 euros para adultos. Para quem avança na modalidade, uma flecha pode custar cerca de cinco euros, enquanto o investimento no restante equipamento depende do nível e das exigências do praticante.
A idade também não fecha a porta à competição. Os campeonatos nacionais de sala já incluíram uma categoria de veteranos, ao lado dos escalões mais jovens. No plano internacional, a World Archery reconheceu excepcionalmente a competição dos Jogos Mundiais Masters de 2027, em Kansai, no Japão, como Campeonato do Mundo Masters para atletas com mais de 50 anos. As etapas do circuito mundial de sala estão igualmente abertas a arqueiros filiados numa federação nacional reconhecida, incluindo amadores e profissionais.
O Luxemburgo já provou que pode chegar ao pódio maior. Em Berlim, em 2023, Mariya Shkolna e Gilles Seywert conquistaram a medalha de bronze no misto por equipas de arco composto. Foi a primeira medalha luxemburguesa em Campeonatos do Mundo de Tiro com Arco. Nascida em Lviv, na Ucrânia, Shkolna representa o Luxemburgo desde 2018, é seleccionadora nacional e comerciante, enquanto Seywert é polícia.
A dupla voltou a destacar-se no Campeonato da Europa de 2024, em Essen, terminando a qualificação do misto composto no quarto lugar. No recurvo masculino, Pit Klein, Jeff Henckels e Jérôme Ansel representaram o Grão-Ducado nessa competição. Ansel regressou ao Europeu em 2026, em Antalya, terminando a prova individual na 40.ª posição.
Agora, as atenções viram-se para Strassen. O GT Open realiza-se entre 20 e 22 de Novembro e volta a colocar o Luxemburgo no circuito mundial de sala, série que o país recebe anualmente pelo menos desde 2023. Antes da passagem pelo Grão-Ducado, o calendário leva os arqueiros a Lausanne, entre 30 de Outubro e 1 de Novembro, seguindo-se Nîmes, em França, em Janeiro.
O calendário internacional continuará em 2027 com o Campeonato da Europa de sala, marcado para Samsun, na Turquia, entre 22 e 27 de Fevereiro, as etapas da Taça do Mundo e o Campeonato do Mundo, que decorrerá em Medellín, na Colômbia, de 20 a 27 de Setembro. Para as famílias lusófonas que procuram uma actividade desportiva para os mais novos, há opções do sul ao norte do Luxemburgo e formas relativamente económicas de experimentar antes de escolher um clube.



