A comunicação em luxemburguês passa a dispor de um conjunto de regras e recomendações destinado a eliminar barreiras linguísticas e a garantir que a informação chega ao maior número possível de pessoas, incluindo aquelas que enfrentam dificuldades de leitura e de compreensão. A ferramenta está reunida na brochura «Liicht Sprooch Lëtzebuergesch», publicada pelo Zenter fir d’Lëtzebuerger Sprooch (ZLS), o centro responsável pela língua luxemburguesa, e concebida como um instrumento prático para administrações, ministérios e outros organismos formularem os seus conteúdos de forma clara e acessível. O ministro da Cultura, Eric Thill, sublinhou que a língua constitui «uma chave essencial para o acesso à informação e para a participação social», acrescentando que a nova publicação cria «uma base para que também as pessoas com dificuldades de leitura e compreensão tenham um melhor acesso às informações em luxemburguês» e representa «um passo concreto rumo a uma maior inclusão e igualdade de oportunidades» na sociedade.
Um texto redigido em Liicht Sprooch — a designação luxemburguesa para a chamada linguagem facilitada — deve estar organizado de modo a que o leitor encontre e compreenda a informação de imediato. Para tal, o documento estabelece um conjunto de princípios: recorrer a palavras simples e correntes, explicar os termos mais complexos, escrever frases curtas com uma única ideia e adoptar uma construção gramatical directa, na voz activa. São ainda recomendados parágrafos breves, uma disposição gráfica clara, o uso de imagens e pictogramas, um tipo de letra maior e sem serifas, e o destaque a negrito da informação essencial. Para assinalar que um texto foi escrito segundo estas regras, é utilizado o logótipo europeu da Inclusion Europe, disponível gratuitamente online desde que cumpridas determinadas condições — entre as quais a validação do texto por um grupo de revisão composto por adultos e jovens com deficiência intelectual, que lêem ou ouvem os conteúdos e propõem melhorias.
A iniciativa responde a um problema concreto: os textos administrativos são, em regra, redigidos a um nível linguístico que representa um grande obstáculo para quem tem dificuldades de leitura, impedindo o acesso autónomo a informação relevante em domínios como o emprego, a escola, a saúde ou a política. Ao disponibilizar conteúdos em Liicht Sprooch, pretende-se que todos os cidadãos se possam informar de forma autónoma e participar activamente na sociedade. O público abrangido é vasto e inclui pessoas com deficiência intelectual, demência, afasia ou limitações auditivas e visuais, mas também idosos, analfabetos funcionais, quem está a iniciar a aprendizagem da língua e pessoas com necessidades específicas, como os disléxicos. Mesmo os leitores sem dificuldades particulares beneficiam desta abordagem, que permite captar a informação principal de um texto sem grande esforço.
O modelo tem raízes europeias. Foi em 2009 que a organização internacional Inclusion Europe publicou, em cooperação com representantes da Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Irlanda, Lituânia, Portugal e Escócia, um primeiro conjunto de regras para a linguagem facilitada, hoje adaptado a várias línguas, entre as quais o alemão, o francês e o inglês. Perante a crescente procura por parte das administrações e dos serviços, coube ao Zenter fir d’Lëtzebuerger Sprooch desenvolver uma versão luxemburguesa, por incumbência de Pierre Reding, então director interino do centro e comissário para a língua luxemburguesa, de modo a dar resposta à oficialidade trilingue do país. No trabalho, que contou com a colaboração de especialistas e, em particular, com o aconselhamento de pessoas com deficiência intelectual, o grupo manteve-se fiel ao lema «Fazemos algo para as pessoas, com as pessoas!». O documento, já disponível online e descarregável no sítio do Ministério da Cultura, será actualizado regularmente à medida que forem recolhidas e analisadas as sugestões recebidas.


