Tradição milenar que hoje se celebra na China teve eco em Remich
Celebra-se hoje, 19 de Junho, o Festival do Barco-Dragão — Duanwu —, uma das mais antigas efemérides da cultura chinesa. Assinalado no quinto dia do quinto mês lunar do calendário lunar chinês, o festival evoca a memória do poeta e estadista Qu Yuan e cumpre-se, há séculos, com corridas de barcos, o consumo de zongzi (pastéis de arroz glutinoso envoltos em folhas de bambu) e gestos simbólicos destinados a afastar os males do Verão, como pendurar artemísia e cálamo às portas. Trata-se de feriado oficial na China continental, em Hong Kong, em Macau e em Taiwan, onde a generalidade dos serviços, escolas e empresas encerra para a ocasião.
Foi esse espírito que, duas semanas antes da data, chegou às margens do Mosela. A quarta edição do Festival Internacional do Barco-Dragão do Luxemburgo realizou-se a 7 de Junho, em Remich, reunindo dezassete equipas oriundas de sectores tão diversos como as finanças, a logística, a aviação, a tecnologia e o meio académico, a par de empresas chinesas com actividade na Europa. O certame atraiu mais de dez mil residentes e visitantes vindos dos países vizinhos, confirmando a crescente popularidade desta tradição e o seu papel no aproximar das populações da China e da Europa.

Organizado em conjunto pela Embaixada da China no Luxemburgo, pelo Departamento Provincial de Cultura e Turismo de Jiangsu, pelo Centro Cultural da China no Luxemburgo, pelo Euroasie Schengen International Group e pelos municípios de Remich, Schengen, Mondorf-les-Bains e Perl (Alemanha), o evento aliou as corridas de barcos-dragão a um vasto programa cultural, com espectáculos tradicionais chineses, um carnaval musical, mercados de cultura e gastronomia, acções de promoção turística e demonstrações tecnológicas.
A cerimónia de abertura contou com a presença do embaixador da China no Luxemburgo, Hua Ning, do ministro dos Assuntos Internos luxemburguês, Léon Gloden, do presidente da Câmara de Remich, Jacques Sitz, do director do Centro Cultural da China, Mu Yuwei, e do presidente do Euroasie Schengen International Group, Zhan Yong. Antes do arranque das provas, decorreu a tradicional cerimónia de “pintar os olhos do dragão”, momento simbólico que marca o início das corridas.
No seu discurso, Hua Ning sublinhou que, ao fim de quatro anos, o festival se tornou uma plataforma importante para os intercâmbios culturais, desportivos e turísticos entre a China, o Luxemburgo e outros países europeus. O embaixador destacou ainda o novo recorde de participação alcançado nesta edição e os valores de espírito de equipa, competição leal e inclusão que as corridas de barco-dragão encarnam.
Na água, as dezassete equipas protagonizaram uma disputa renhida. A Cargolux Airlines International conquistou o título e o prémio de Maior Velocidade, enquanto o Instituto Confúcio da Universidade do Luxemburgo terminou em segundo lugar e o China Merchants Bank fechou o pódio.
Para além das corridas, o público pôde assistir a um carnaval musical que se prolongou por todo o dia, com música folclórica tradicional chinesa, demonstrações de artes marciais, bandas internacionais e sessões de DJ. O mercado cultural apresentou o programa “Tea for Harmony: Jiangsu Elegance”, produtos criativos e campanhas de promoção turística, ao passo que uma ampla oferta de gastronomia chinesa, asiática e local completou a experiência. A tecnologia foi outro dos pontos altos, com a estreia de robôs inteligentes chineses — entre eles um modelo da Unitree —, que cativaram as multidões através de demonstrações ao vivo e experiências interactivas.
Lançado em 2023, o Festival Internacional do Barco-Dragão do Luxemburgo afirmou-se entretanto como um acontecimento cultural e desportivo de referência, funcionando como ponte de diálogo entre a China, o Luxemburgo e o conjunto da região europeia — prolongando, em solo luxemburguês, uma celebração que hoje une milhões de pessoas de Pequim a Macau.


