O Parlamento da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) colocou a Guiné-Bissau no centro das atenções durante a abertura da Primeira Sessão Ordinária da Sexta Legislatura, realizada a 4 de maio de 2026, em Abuja, na Nigéria. A presidente do órgão parlamentar, Mémounatou Ibrahima, exigiu o restabelecimento imediato da ordem constitucional no país, que desde novembro de 2025 se encontra sob o controlo de uma junta militar.
O golpe de Estado ocorreu a 26 de novembro de 2025, quando o Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem depôs o Presidente Umaro Sissoco Embaló, num momento particularmente sensível: os resultados das eleições gerais ainda não tinham sido tornados públicos. Desde então, a Guiné-Bissau atravessa uma transição política marcada pela incerteza institucional e pela ausência de garantias democráticas para a sua população.
“Isto representa uma responsabilidade para as autoridades da Guiné-Bissau, a fim de que restabeleçam a ordem constitucional naquele país irmão”, declarou Ibrahima, sublinhando o empenho do Parlamento na estabilidade e na paz em toda a sub-região. A presidente aproveitou ainda a ocasião para condenar os ataques terroristas perpetrados a 25 de abril de 2026 em diversas localidades do Mali, manifestando solidariedade para com o povo maliano.
Ibrahima alertou igualmente para a escalada do terrorismo e do extremismo violento, a pirataria marítima, a criminalidade transfronteiriça e as consequências das alterações climáticas como ameaças crescentes à segurança regional. Para a dirigente parlamentar, a resposta a estes desafios passa necessariamente pelo diálogo e pela cooperação. “A paz não pode ser decretada — deve ser construída pacientemente através do diálogo, da cooperação e do respeito mútuo. O Parlamento da CEDEAO deve ecoar esta imprescindibilidade aos nossos Estados membros e parceiros”, afirmou.
No quadro deste debate mais amplo, a CEDEAO anunciou a realização de uma Cimeira do Futuro, agendada para 21 de maio, em Lomé, no Togo. O encontro tem como objectivo acelerar a implementação da Visão 2050 da organização, adaptada aos desafios políticos e de segurança que a região enfrenta actualmente.
O presidente da Câmara dos Representantes da Nigéria, Tajudeen Abbas, reforçou o tom de urgência da sessão, advertindo que a governação democrática na África Ocidental está sob pressão crescente e que, sem resultados concretos para os cidadãos, poderá gerar ainda mais instabilidade. Abbas identificou uma preocupante tendência de descida da participação eleitoral, de erosão da confiança pública nas instituições e de ressurgência de alterações inconstitucionais ao poder como sintomas de fragilidades estruturais profundas.


