O custo da energia voltou a pesar mais sobre os orçamentos domésticos no Luxemburgo, com a factura integrada da electricidade de um cliente residencial médio a subir 31,4% em 2025, para 26,65 cêntimos de euro por quilowatt-hora. O encarecimento estende-se igualmente ao gás natural, cujo preço para o mesmo perfil de consumidor aumentou 10,9%, num ano marcado também por um avanço histórico das energias renováveis na produção nacional.
De acordo com os dados estatísticos nacionais divulgados pelo Instituto Luxemburguês de Regulação (ILR), o regulador do mercado energético, o preço integrado da electricidade — aquele que é efectivamente facturado ao consumidor — atingiu 266,5 €/MWh em 2025. O aumento de 63,8 €/MWh face ao ano anterior explica-se sobretudo pela redução dos apoios estatais (-77,9 €/MWh) e pela subida dos custos de rede (+10,8 €/MWh). Curiosamente, o preço médio do fornecimento de electricidade, calculado sem custos de rede e impostos, recuou de 129 para 115 €/MWh, uma descida de 10,68%, o que evidencia o peso crescente das taxas e da retirada gradual das ajudas públicas na factura final.
O ano ficou ainda marcado por um marco na transição energética do Grão-Ducado: a produção fotovoltaica tornou-se, pela primeira vez, a principal fonte de electricidade do país, com 627 GWh e um crescimento de 74,3%, ultrapassando a energia eólica, que se fixou nos 467 GWh. A potência solar instalada subiu para 746 MW (+35,8%) e o número de instalações fotovoltaicas aumentou 47,3%, alcançando 33.304 unidades no final do ano. No conjunto, a produção nacional cresceu 20,8%, para 1.826 GWh, assente sobretudo no solar, no eólico e na madeira de resíduos.
A produção própria ganhou expressão notória. O autoconsumo e a partilha de electricidade dispararam 122%, para 444 GWh, representando já 7% do consumo final, sinal de que uma parte crescente da energia deixou de circular pelas redes públicas. Pela primeira vez, o regulador recolheu também dados sobre baterias de armazenamento, contabilizando 9.843 unidades no final de 2025, das quais 98% com capacidade inferior a 30 kWh. Ainda assim, o país continua fortemente dependente do exterior: o consumo bruto, de 6.529 GWh (+2,98%), foi assegurado em grande medida por importações de 4.776 GWh, enquanto a produção nacional cobriu 1.826 GWh.
No mercado do gás natural, o consumo situou-se em 6.857 GWh (6,86 TWh), mais 1,54% do que em 2024, abastecido quase na totalidade por importações provenientes da Bélgica, que ascenderam a cerca de 6.758 GWh. A produção nacional, obtida a partir de biomassa, manteve-se residual, nos 44 GWh. O preço integrado para um cliente residencial médio subiu para 9,14 cêntimos por quilowatt-hora, contra 5,26 cêntimos em 2021. O grupo Encevo manteve a liderança do fornecimento a clientes residenciais, com uma quota de 50,49%, seguido da Sudenergie, num mercado pouco dinâmico em que apenas cerca de 0,1% dos clientes residenciais mudaram de fornecedor ao longo do ano.
O volume de negócios do fornecimento de gás aos clientes residenciais e profissionais recuou de 382 para 326 milhões de euros, reflectindo a estabilização dos preços de mercado após os picos dos anos anteriores. No seu conjunto, os números avançados pelo ILR retratam um sector energético luxemburguês em transformação acelerada, em que a aposta nas renováveis convive com uma factura ainda pesada para as famílias, sobretudo à medida que os apoios públicos extraordinários vão sendo retirados.


