Quase quatro meses de guerra directa entre os Estados Unidos e o Irão aproximam-se do fim, depois de Washington e Teerão terem alcançado um acordo-quadro preliminar que estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes do conflito. O entendimento, mediado sobretudo pelo Paquistão, abre uma janela de 60 dias para negociações diplomáticas intensivas destinadas a encerrar os dossiers de fundo e prevê a assinatura formal de um memorando de entendimento na próxima sexta-feira, 19 de Junho de 2026, na Suíça.
A reacção portuguesa foi de saudação ao entendimento. De acordo com comunidado da Presidência da República enviado ao Letzebuerg Hoje, o Presidente António José Seguro saudou o acordo alcançado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão, manifestando a expectativa de que sirva para pôr um fim imediato ao conflito, incluindo no Líbano, e de que a sua implementação traga a paz, a segurança e a estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento de toda a região, permitindo igualmente o retomar da livre circulação no Estreito de Ormuz. Na mesma nota, ficou sublinhado que Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional, agradecendo os esforços de todas as partes envolvidas na mediação.
Entre os pontos centrais do acordo, noticiados pela imprensa internacional, conta-se o fim das hostilidades em frentes associadas, designadamente o confronto entre Israel e o Hezbollah no Líbano, e a reabertura do Estreito de Ormuz no prazo de 30 dias — um corredor marítimo vital que o Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ficar livre de quaisquer taxas. O texto prevê ainda o levantamento do bloqueio naval aos portos iranianos e a suspensão temporária das sanções sobre a venda de petróleo e de produtos petroquímicos. Cerca de 24 mil milhões de dólares em activos iranianos congelados deverão ser libertados ao longo dos 60 dias, condicionados ao cumprimento de critérios de verificação. No plano nuclear, Teerão reafirma os compromissos do Tratado de Não-Proliferação, enquanto o programa de mísseis balísticos e o apoio a grupos regionais ficaram de fora da agenda negocial imediata.
No plano europeu, a perspectiva de um alívio das sanções ganhou contornos mais concretos. Num comunicado conjunto, os líderes do Reino Unido, da França, da Alemanha e da Itália declararam estar preparados para levantar as sanções pertinentes em resposta a passos claros e verificáveis do Irão no que respeita ao seu programa nuclear, condicionando assim qualquer abertura ao cumprimento efectivo dos compromissos por parte de Teerão. A posição das quatro capitais surgiu em paralelo com o anúncio do acordo provisório entre Washington e Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz, que põe termo a uma guerra responsável pela morte de milhares de pessoas e inaugura um período de 60 dias de negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano.
O anúncio teve efeitos imediatos nos mercados. Segundo a agência Reuters, os preços do petróleo recuaram de forma acentuada, com o barril de referência West Texas Intermediate a cair mais de 4,5%, para cerca de 80 dólares — o valor mais baixo desde o início de Março —, ao mesmo tempo que as bolsas asiáticas e europeias registaram fortes subidas, num alívio dos receios de estagflação ligada à energia. Persistem, contudo, factores de incerteza antes da cerimónia de sexta-feira: Israel, que não foi parte directa nas negociações bilaterais, anunciou que manterá presença militar em zonas de segurança regionais, deixando dúvidas sobre a durabilidade da trégua no Líbano. A par disso, a Casa Branca defende uma libertação faseada dos activos mediante verificação, ao passo que Teerão sustenta que o descongelamento financeiro deve ser imediato, divergência a que se somam as críticas de sectores mais radicais em ambos os países.

