As negociações do próximo orçamento de longo prazo da União Europeia, destinado a enquadrar a acção comum entre 2028 e 2034, deverão ficar concluídas ainda este ano. Foi este um dos eixos centrais da visita do presidente do Conselho Europeu, António Costa, ao Luxemburgo, onde se reuniu com o primeiro-ministro Luc Frieden. Ambos defenderam um quadro financeiro capaz de sustentar novas prioridades — defesa, segurança, competitividade, investigação e inovação — sem abandonar os pilares históricos da coesão e da política agrícola comum. A nova estrutura será diferente da actual, concebida noutro tempo e noutro contexto.
O financiamento assenta sobretudo nas contribuições dos Estados-membros, que se pretende manter em patamares comportáveis através de novos recursos próprios. Esse esforço permitiria aliviar a factura nacional e, em simultâneo, libertar verbas para a competitividade e a defesa. A concretização da União das Poupanças e dos Investimentos surge como peça decisiva desta estratégia. O Luxemburgo, principal centro europeu de fundos de investimento, reclama para si um papel de charneira: são esses fundos que canalizam a poupança privada para a economia, num momento em que o dinheiro público, sempre limitado, não chega para financiar a transição ecológica, a inteligência artificial ou o reforço militar. A meta é fechar acordo até ao final do ano.
O apoio à Ucrânia manteve-se como linha de força do encontro. Os dois responsáveis deslocaram-se juntos a Kiev por ocasião do 35.º aniversário da independência ucraniana, reafirmando o compromisso europeu perante a agressão russa. Os ataques com drones registados no aeroporto de Leipzig, atribuídos ao Estado russo, motivaram uma mensagem de solidariedade para com Berlim e a defesa da manutenção das sanções contra Moscovo. O alargamento a leste — Ucrânia, Moldávia e Balcãs Ocidentais — foi igualmente abordado, sempre condicionado ao cumprimento dos critérios do Estado de direito. Trata-se de um processo assente no mérito, e não de uma adesão imediata.


