A abertura do mercado de dívida interna ao capital estrangeiro está em cima da mesa, num movimento que procura atrair investidores internacionais para os títulos do Estado angolano e, com eles, dar escala a um segmento até aqui sobretudo doméstico. «Queremos ver se conseguimos ganhar escala, mas para que isso aconteça precisamos de ter um canal claro», afirmou Vera Daves, ministra das Finanças, sublinhando a necessidade de um diálogo aberto para explorar o potencial que o mercado obrigacionista local guarda para quem investe. Segundo o jornal Expansão, a intenção parte do Ministério das Finanças.
Os mercados de dívida das economias emergentes tornaram-se particularmente apetecíveis para os investidores internacionais, pelas taxas de rendimento que oferecem. Muitos permitem, aliás, um retorno duplo: juros elevados a somar a eventuais ganhos cambiais, caso as moedas locais valorizem. As taxas de juro nestes mercados costumam ser mais altas, reflexo de uma inflação também elevada — precisamente o que se passa em Angola.
Mesmo depois de descontada a inflação, os retornos reais das obrigações do Estado tendem a superar os dos mercados tradicionais. O reverso existe, e não é pequeno. Estas economias enfrentam desafios acrescidos e uma probabilidade de incumprimento consideravelmente maior, pelo que a remuneração generosa acaba muitas vezes contrabalançada por um risco pesado, sobretudo em desvalorizações cambiais bruscas capazes de diluir os ganhos esperados.
O pano de fundo é exigente. O kwanza está praticamente estagnado, cotado há cerca de dois anos em torno dos 812 por dólar, enquanto persiste um défice superior a 1,2 mil milhões de dólares entre a procura da banca e a oferta disponível de moeda estrangeira. É um cenário já observado em 2023, na sequência de uma desvalorização de 39% da moeda nacional, que hoje volta a pressionar o sistema financeiro e a própria atractividade do país aos olhos de quem chega de fora.



