A criação de uma instituição financeira multilateral destinada a mobilizar capitais privados para a segurança comum foi uma das propostas centrais apresentadas pelo Luxemburgo na cimeira da NATO, realizada em Ancara. O Banco da Defesa, da Segurança e da Resiliência (DSRB), uma iniciativa conjunta com o Canadá, pretende reforçar a indústria de defesa da Aliança e conquistou já o apoio de nove países: Albânia, Bélgica, Canadá, Grécia, Letónia, Luxemburgo, Roménia, Turquia e Ucrânia. Segundo o Governo do Luxemburgo, o primeiro-ministro, Luc Frieden, apresentou igualmente a iniciativa numa mesa-redonda do NATO Summit Defence Industry Forum (NSDIF).
Na cimeira, os líderes políticos da Aliança Atlântica debateram a orientação política da NATO, com o objectivo de transformar o compromisso financeiro assumido na cimeira de Haia em capacidades e forças militares que reforcem a postura de dissuasão e defesa colectiva. Luc Frieden, que chefiou a delegação luxemburguesa ao lado do vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, Xavier Bettel, e da ministra da Defesa, Yuriko Backes, sublinhou a importância do princípio da solidariedade entre Aliados e defendeu a ambição de um pilar europeu mais forte no seio de uma NATO mais forte. «A união faz a força. Uma maior especialização entre os países seria benéfica para a Aliança e para cada Aliado. O Luxemburgo, pela sua parte, poderia assim contribuir mais nos sectores das finanças e do espaço em proveito da nossa segurança colectiva», declarou o chefe do Governo.
O apoio à Ucrânia marcou igualmente os trabalhos, numa cimeira à qual foi associado o presidente Volodymyr Zelensky. Os Aliados reiteraram o seu compromisso com a soberania e a integridade territorial ucranianas, bem como com o direito internacional, incluindo o direito à legítima defesa, e comprometeram-se a prosseguir os investimentos nas capacidades de defesa, na indústria e na inovação, considerados elementos-chave para a segurança colectiva do espaço euro-atlântico. No Conselho NATO-Ucrânia, Xavier Bettel reafirmou o apoio luxemburguês a Kiev: «É essencial que a Ucrânia esteja na melhor posição possível no momento das negociações de paz. O apoio dos membros da NATO é crucial a este respeito.» O vice-primeiro-ministro participou ainda numa sessão de trabalho com os parceiros da Iniciativa de Istambul (ICI), que contou com representantes do Barém, do Kuwait, do Catar e dos Emiratos Árabes Unidos.
No plano da defesa, Yuriko Backes marcou presença num jantar de trabalho dos ministros da Defesa da NATO, ao qual assistiram também os homólogos da Austrália, da Coreia do Sul, do Japão e da Nova Zelândia, onde garantiu que «o Luxemburgo assumirá plenamente a sua parte do fardo da defesa colectiva, contribuindo com forças e investindo em novas capacidades militares de ponta». No âmbito do NSDIF, a ministra participou numa cerimónia de anúncios e assinaturas de programas multinacionais da NATO, que incluiu a adesão da Finlândia à unidade multinacional de aviões Multi-Role Tanker Transport (MRTT) e o anúncio da entrega próxima do décimo aparelho da frota, a apresentação da nova plataforma GlobalEye, da Saab, destinada a substituir os envelhecidos aviões AWACS no quadro do programa iAFSC, e a assinatura da adesão do Luxemburgo ao projecto Defence Critical Raw Materials, que visa reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento de defesa da Aliança.


