Uma pontuação de 63,9 pontos em 100 coloca o Luxemburgo na nona posição entre os Estados-membros da União Europeia no Índice de Igualdade de Género 2025, superando a média comunitária, fixada em 63,4 pontos. O resultado, divulgado no relatório de actividades de 2025 do Observatório da Igualdade entre os Géneros, confirma uma progressão contínua nos últimos anos: mais 10,1 pontos desde 2015 e mais 4,6 pontos desde 2020, o que faz do país o quarto com maior evolução registada nesse período, segundo o Instituto Europeu para a Igualdade entre Homens e Mulheres (EIGE).
O relatório, apresentado pela ministra da Igualdade dos Géneros e da Diversidade, Yuriko Backes, reúne a actualização de mais de 500 indicadores repartidos por sete domínios — violência doméstica, emprego, tomada de decisão, equilíbrio entre vida profissional e vida privada, rendimento, educação e saúde. «Constatamos a existência e a persistência de desigualdades de género, entre outras, na organização do trabalho e da vida quotidiana», sublinhou a ministra na apresentação, acrescentando que os avanços registados continuam frágeis e podem reconfigurar-se facilmente sob o impacto de uma crise económica, social ou sanitária.
Entre 2020 e 2025, o Luxemburgo progrediu na generalidade dos domínios analisados, com excepção da saúde, onde se observou uma ligeira quebra a curto prazo, ainda que a tendência de longo prazo, desde 2015, se mantenha positiva. O domínio do poder registou um dos avanços mais significativos, com um crescimento de 9,7 pontos desde 2020, impulsionado sobretudo pelas componentes económica e social, apesar de as mulheres continuarem sub-representadas nas funções políticas. Já no emprego, a diferença entre as taxas de actividade de homens e mulheres diminuiu de 6,8 pontos percentuais em 2023 para 4,9 pontos em 2024, reflectindo uma aproximação gradual entre os dois grupos, embora o país continue a registar a taxa mais elevada da União Europeia de emprego feminino em sectores de baixos salários, com 38%.
No capítulo dos rendimentos, as mulheres em casal recebem, em média, um salário anual correspondente a 80% do rendimento do parceiro, enquanto os homens auferem, em média, mais 33% do que as respectivas parceiras — um afastamento que se tem vindo a reduzir na última década, sobretudo entre casais com formação superior e com filhos. Já no que respeita às pensões, o afastamento entre géneros atinge 33% no Luxemburgo, acima dos 25% registados a nível europeu. Na educação, as mulheres continuam a completar mais frequentemente o ensino superior do que os homens — 70% das mulheres entre os 30 e os 34 anos, contra 62% dos homens —, mas a proporção feminina em profissões ligadas às tecnologias de informação e comunicação, que subiu três pontos percentuais desde 2015 para 17%, permanece abaixo da média da União Europeia.
As responsabilidades familiares continuam a recair de forma desigual sobre as mulheres: 24% das mulheres com filhos entre os zero e os onze anos dedicam mais de cinco horas diárias aos cuidados infantis, contra 11% dos homens, e 38% das mulheres assumem tarefas domésticas como cozinhar, limpar ou tratar da roupa, face a 21% dos homens. O tema dos estereótipos de género, foco temático do índice europeu em 2025, revela ainda que 46% dos homens luxemburgueses consideram aceitável que um homem controle as finanças da companheira, contra apenas 26% das mulheres, e que 61% dos homens defendem que a mãe deve permanecer em casa quando não há disponibilidade de serviços de guarda de crianças, opinião partilhada por 47% das mulheres inquiridas.
No plano da violência doméstica, o relatório regista 1297 intervenções policiais em 2025, mais 10% do que em 2024, das quais 58% das vítimas eram mulheres e 42% homens. O Ministério Público ordenou 334 expulsões do lar, mais do que as 287 do ano anterior, enquanto o número total de vítimas sinalizadas à polícia e aos gestores sociais convencionados com o ministério atingiu 6098 pessoas, o equivalente a 8,8 vítimas por cada mil habitantes. Foram ainda registados cinco homicídios em contexto de violência doméstica, três das vítimas do sexo masculino e duas do sexo feminino, sem que tenha sido apurada, segundo a metodologia agora aplicada pelo Ministério Público, qualquer condenação definitiva por feminicídio ao abrigo do artigo 80.º do Código Penal.
Para 2026, o Governo do Luxemburgo anuncia o lançamento de uma nova identidade visual do Observatório, a criação de contas próprias nas redes sociais para reforçar a divulgação de dados junto do público, a publicação de novos indicadores relativos à violência baseada no género e o reforço da cooperação com instâncias europeias, nomeadamente através da participação continuada nos grupos de trabalho do EIGE. O organismo prevê ainda aprofundar a recolha de dados relativos às pessoas não binárias, um processo que, segundo o relatório, exige tempo e a construção de novas rotinas estatísticas junto de actores institucionais diversos.


