A política tarifária imposta pela administração de Donald Trump continua a deixar marcas profundas na indústria automóvel europeia, com a BMW a registar uma contracção expressiva nos seus resultados financeiros. Os lucros do fabricante bávaro recuaram 23% num período em que as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos agravam as margens de rentabilidade de praticamente todo o sector.
Segundo o Der Spiegel, o impacto das tarifas traduziu-se numa deterioração significativa tanto no volume de negócios como nos resultados líquidos da empresa. A queda abrupta nos lucros tem alimentado a preocupação entre investidores e analistas, que acompanham com atenção a evolução da conjuntura comercial transatlântica e os seus efeitos sobre os grandes construtores europeus.
Ainda assim, o presidente da BMW — que está prestes a abandonar o cargo — opta por manter uma leitura optimista do momento actual. A empresa regista um aumento das encomendas provenientes do mercado europeu, o que é interpretado internamente como um sinal encorajador de possível recuperação. Para a administração da marca, esta procura crescente no velho continente poderá compensar, pelo menos parcialmente, as perdas registadas noutros mercados.
A situação afigura-se ainda mais preocupante para a Daimler Truck, que, de acordo com a mesma publicação alemã, sofreu consequências ainda mais severas do que a BMW. Os resultados da empresa de camiões ilustram com clareza a vulnerabilidade do sector face a um ambiente político e comercial marcado por profunda instabilidade.


