A avaliação positiva do programa angolano de transferências monetárias Kwenda abre caminho à sua segunda fase, agora direccionada aos centros urbanos, depois de resultados considerados satisfatórios no meio rural. Segundo o jornal angolano Expansão, o programa, apesar dos desafios logísticos que afectaram a sua implementação em regiões remotas — onde a cobertura da rede bancária e a inclusão financeira são limitadas —, conseguiu atingir 6,8 milhões de pessoas, superando em 1,8 milhões a meta inicial de 5 milhões. A iniciativa é financiada pelo Banco Mundial através de um empréstimo de 320 milhões de dólares norte-americanos (USD).
A avaliação foi realizada pelo Independent Evaluation Group (IEG), entidade independente do Banco Mundial criada para examinar a implementação financeira e o impacto dos projectos financiados pela instituição. No caso do Kwenda, os gastos permaneceram aquém do orçamento previsto, com apenas 316 milhões USD utilizados dos 320 milhões disponíveis. O relatório final do Banco Mundial esclarece que o montante desembolsado foi de 319,3 milhões USD, mas que, ao término do projecto, apenas 316,0 milhões USD foram efectivamente utilizados, resultando num saldo de 3,3 milhões USD.
Embora o governo angolano tivesse prometido contribuir com 100 milhões USD, não chegou a atingir este valor. A avaliação do IEG envolveu apenas a relação com o Banco Mundial, não sendo clara a parte da contribuição de entidades públicas na totalidade do financiamento.
Além da análise financeira, o IEG monitorizou também o cumprimento dos objectivos e os mecanismos de supervisão do programa. As transferências monetárias, dirigidas a 40% da população mais pobre do país, tinham como meta alcançar um milhão de famílias, oferecendo apoio ao longo de 12 meses através de seis pagamentos bimestrais.


