A detecção de 194 casos de hepatite B e C em Timor-Leste, na sua esmagadora maioria entre jovens, acendeu um sinal de alarme para a saúde pública do país, num momento em que as autoridades sanitárias temem pelo impacto da doença sobre a geração que deverá sustentar o desenvolvimento nacional.
Os dados, avançados pelo semanário The Dili Weekly, revelam que o grupo mais afectado é o dos jovens, sobretudo com 15 anos de idade. Segundo o responsável pela Unidade Nacional de VIH/SIDA, Hepatite e Outras Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, o enfermeiro Bernadino da Cruz, trata-se de uma patologia crónica que, sem tratamento adequado, pode evoluir para complicações graves como a cirrose hepática ou o cancro do fígado.
A hepatite ataca o fígado e classifica-se de acordo com o vírus que lhe dá origem. Enquanto os tipos A e E se transmitem habitualmente através de água e alimentos contaminados, os tipos B, C e D propagam-se pelo contacto com o sangue e outros fluidos corporais, por relações sexuais desprotegidas e pela utilização de equipamento médico ou seringas não esterilizados.
Entre as principais dificuldades apontadas estão o acesso aos doentes nas zonas rurais, a realização de testes de confirmação e a garantia de tratamento. O responsável sublinhou ainda a importância de prevenir a transmissão de mãe para filho nos casos de grávidas cujo diagnóstico surge durante o rastreio. Para travar o avanço da doença, o Ministério da Saúde tem reforçado as acções de sensibilização, que passam pela promoção da higiene, pela vacinação e pela realização de testes regulares junto dos grupos de maior risco, disponibilizando igualmente acompanhamento médico e medicação aos pacientes já diagnosticados.
Bernadino da Cruz apelou à comunidade para que não discrimine quem vive com a doença, lembrando que a hepatite pode ser prevenida e controlada desde que detectada precocemente e devidamente tratada. Perante o aumento do número de casos, o Ministério da Saúde pediu a cooperação das famílias e das comunidades para reforçar a prevenção e a detecção atempada, de modo a reduzir o impacto da doença sobre a população mais jovem.
Também citado pelo The Dili Weekly, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Timor-Leste, Arvind Mathur, defendeu que a eliminação da hepatite é alcançável desde que os países actuem em conjunto e coloquem a prevenção no centro das prioridades. A organização destaca a vacinação das crianças à nascença contra a hepatite B, a continuação do esquema vacinal durante a infância e a informação da população sobre as formas de transmissão, apelando a que se evitem seringas partilhadas e tatuagens sem condições de segurança e se assegure a higiene nos procedimentos médicos. Os jovens em situação de maior risco, acrescentou, devem ser testados para permitir um diagnóstico precoce e o tratamento apropriado.


