O artista cabo-verdiano João Alfredo expressou a sua preocupação em relação à nova forma de escrita da palavra “Cretcheu”, que tem surgido nas redes sociais, onde muitos a escrevem como “Kretxeu”, substituindo o “C” por “K” e o “ch” por “x”.
De acordo com a comunicação social de Cabo Verde, João questiona a lógica por detrás desta mudança, afirmando que a palavra sempre foi corretamente escrita como “Cretcheu”. O cantor interroga-se sobre a razão da alteração, levantando dúvidas quanto à inclusão do “C” no alfabeto. “Como é possível? Cretcheu sempre foi assim que se escreve e agora muitas pessoas escrevem Kretxeu. Qual é o motivo? O C já não faz parte ou não existe no grupo do alfabeto?”, destaca o artista, evidenciando a sua inquietação quanto à evolução da escrita do crioulo.
Além disso, João Alfredo refere que, caso a palavra fosse escrita “Kretcheu” com “K” em vez de “C”, haveria alguma lógica dentro das regras de escrita do crioulo. Contudo, a troca de “tch” por “x” não lhe parece fazer sentido.
Esta discussão surge num contexto onde o debate sobre a padronização da escrita do crioulo cabo-verdiano continua, especialmente em relação ao uso do ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Caboverdiano), que possui regras distintas da escrita tradicional.
A polémica em torno da nova grafia ilustra que a questão da escrita do crioulo provoca reações divergentes, não só entre artistas, mas também entre professores, escritores e a população em geral, refletindo as tensões entre a escrita tradicional, mais próxima do português, e a abordagem padronizada segundo o ALUPEC.


