Mais de 22 milhões de meticais (quase 300 mil Euros) desviados de obras de construção de infra-estruturas sanitárias estão no centro de um caso de corrupção que levou à detenção de dois funcionários do sector da Saúde na província de Nampula, em Moçambique.
O caso tem origem em obras subfacturadas e abandonadas nos distritos de Malema e Eráti, uma situação que foi denunciada pelo governador provincial, Eduardo Mariamo Abdula, no decurso de 2025. As investigações concentraram-se nos procedimentos de contratação pública levados a cabo no sector da saúde durante o ano de 2022, envolvendo directores e funcionários da então Direcção Provincial de Saúde, bem como representantes de empresas privadas contratadas para a execução das obras.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada pela unidade da Procuradoria da República especializada em crimes de corrupção, apurou-se que foram efectuados pagamentos avultados a empresas contratadas para a construção e fiscalização de centros de saúde sem que esses montantes correspondessem ao nível real de execução das obras. Foram ainda autorizados pagamentos antecipados que excederam as percentagens de execução física verificadas no terreno, e celebradas adendas contratuais consideradas contrárias ao interesse público. Registaram-se igualmente pagamentos integrais a entidades que se encontravam sujeitas a fiscalização.
As investigações revelaram ainda a existência de transferências financeiras suspeitas entre representantes das empresas adjudicatárias e alguns agentes públicos envolvidos nos processos de contratação. Os dois indivíduos detidos enfrentam acusações de abuso de cargo ou função, administração danosa, corrupção passiva para acto ilícito, corrupção activa e fraude.


