A hipertensão arterial impõe-se como uma das principais ameaças à saúde pública europeia, afectando mais de um em cada três adultos com idades entre os 30 e os 79 anos e estando na origem de 62% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Esta patologia, frequentemente designada de “silenciosa” por evoluir sem sintomas aparentes até desencadear complicações graves, intervém ainda em cerca de metade dos enfartes do miocárdio e contribui decisivamente para que as doenças cardiovasculares sejam a primeira causa de invalidez e de mortes prematuras na Região Europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS), responsáveis por mais de 42,5% dos óbitos anuais — o equivalente a 10 mil mortes por dia. A realidade luxemburguesa acompanha de perto a tendência continental. De acordo com as mais recentes estatísticas das causas de morte da Direcção da Saúde, referentes a 2024, as doenças do aparelho circulatório mantêm-se como segunda causa de mortalidade no Grão-Ducado, com 1.006 óbitos registados, o que corresponde a 23,3% do total de mortes no território. Um dado adicional reforça a gravidade do problema: apenas metade das pessoas com hipertensão tem consciência da sua condição, situação que sublinha a necessidade de um rastreio mais sistemático e precoce.
Para enfrentar este cenário, encontra-se em desenvolvimento, no âmbito do Plano Nacional das Doenças Cardio-Neuro-Vasculares 2023-2027, um programa de rastreio da hipertensão por automedição, em estreita colaboração com os médicos de clínica geral. Esta abordagem permitirá ultrapassar as limitações do diagnóstico realizado em meio clínico, identificar mais cedo os casos de hipertensão mascarada e encaminhar os doentes para tratamentos adaptados. A acção alinha-se igualmente com as orientações europeias do Safe Hearts Plan, promovido pela Comissão Europeia, e inscreve-se no tema desta edição — “Controlling Hypertension Together” —, assinalada a 17 de Maio pelo Dia Mundial da Hipertensão, com o apoio da OMS e da World Hypertension League.
A prevenção continua a ser um dos pilares centrais no combate à doença e assenta em escolhas quotidianas acessíveis a toda a população. Abandonar o tabaco, que aumenta a pressão arterial e fragiliza as artérias, é uma das medidas mais eficazes, a par da adopção de uma alimentação equilibrada com cinco porções diárias de fruta e legumes ricos em potássio, da redução do consumo de sal e da preferência por óleos vegetais como o azeite e o de colza em detrimento das gorduras saturadas. Evitar as bebidas alcoólicas, praticar pelo menos 30 minutos diários de actividade física moderada — caminhada, ciclismo ou natação —, vigiar o peso e medir regularmente a tensão arterial junto do médico assistente completam o conjunto de gestos simples capazes de reduzir significativamente o risco cardiovascular e detectar atempadamente qualquer anomalia.


