A criação de seis mil novos postos de trabalho ao longo do último ano contrasta com um aumento histórico do número de pessoas à procura de emprego no Luxemburgo, que ultrapassou os 21 mil no final de 2025, atingindo um valor recorde. O índice de desemprego fixou-se em 6,2 % no encerramento do ano passado e subiu para 6,3 % em Março de 2026, reflectindo transformações estruturais profundas no mercado laboral do Grão-Ducado e uma pressão crescente sobre os serviços públicos de emprego.
Os números apresentados pela Agência para o Desenvolvimento do Emprego (ADEM) revelam a dimensão dessa pressão: mais de 42 mil pessoas inscreveram-se nos serviços ao longo de 2025, um aumento de 26 % face a 2022, e 26.125 indivíduos beneficiaram da indemnização de desemprego total, mais 33 % do que no ano anterior. A despesa com estas prestações ascendeu a 455 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 30 milhões num único ano e de 130 milhões em dois anos. Ainda assim, mais de 123 mil propostas de emprego foram disponibilizadas aos demandantes durante o exercício, num sinal de que o modelo económico mantém capacidade de geração de oportunidades.
Apresentados pelo ministro do Trabalho, Marc Spautz, e pela directora da ADEM, Isabelle Schlesser, os dados foram acompanhados de um conjunto de medidas que apostam na formação, na reinserção profissional e na adaptação às mudanças tecnológicas, sobretudo às decorrentes da inteligência artificial. O selo “Empresa, parceira para o emprego”, desenvolvido em colaboração com a União das Empresas Luxemburguesas (UEL), distinguiu já 24 entidades pelo seu compromisso com a integração profissional, enquanto iniciativas como o “Skills-Plang” procuram manter trabalhadores no activo e um novo portal foi criado para facilitar recrutamentos em sectores afectados pela escassez de mão-de-obra.
A digitalização assume um papel central na resposta ao aumento da carga de trabalho, com o portal MyGuichet, lançado em Novembro de 2025, a permitir o tratamento online dos pedidos de indemnização por desemprego — 85 % das solicitações são já efectuadas de forma autónoma. Um plano de digitalização orientará a actuação da ADEM até 2030. Para 1 de Julho de 2026 está prevista a entrada em vigor de uma nova lei sobre emprego juvenil, que simplifica a inserção de estagiários e habilita a ADEM a actuar como empregadora dos beneficiários, num quadro de modernização que reconhece igualmente o empenho dos mais de 700 colaboradores da agência ao serviço público.


