Uma curta-metragem centrada numa octogenária portuguesa emigrada no Grão-Ducado conquistou financiamento público para arrancar com as filmagens já em agosto.
«O sabor do arroz doce», da autoria e realização de Morgane Verdin-Pol, é uma das vinte e seis produções que o Filmfund decidiu apoiar na terceira sessão de selecção de 2026. A história segue Maria, oitenta anos, no dia do seu aniversário. A família reúne-se — e anuncia-lhe que a quer colocar num lar. O que se segue mexe com feridas antigas: o envelhecimento, o amor e o lugar de cada um dentro da casa. Produzida pela luxemburguesa Kinoshi, a curta recebeu 120.000 euros para um orçamento global de 126.500, ou seja, 94,86 por cento do custo total.
Ao todo, foram contemplados vinte e seis projectos, repartidos entre ajudas à escrita e ao desenvolvimento e ajudas à produção. O comité de selecção reuniu-se ao longo de sete dias de julho — de 14 a 24 — para avaliar as candidaturas. Vinte dos filmes apoiados têm assinatura de autores e realizadores luxemburgueses.
A lista abrange dez longas-metragens de ficção, duas longas de animação, três documentários, quatro séries de ficção, uma série de animação, três curtas de ficção, uma curta de animação e dois projectos de realidade estendida (XR).
O apoio mais avultado desta sessão vai para «Quietly», drama realizado por Désirée Nosbusch em co-produção com a Irlanda. O projecto, produzido pela Deal Productions, recebeu três milhões de euros — sessenta por cento de um orçamento de cinco milhões — e deverá começar a rodar em março de 2027. Outras parcerias internacionais garantiram verbas de peso. «Fagnes», série policial rodada na Bélgica pela Iris Productions, obteve 1.500.000 euros. «Riot/Girl», thriller austro-luxemburguês da Amour Fou, ficou com 1.250.000. E «Death in Torrevieja», produção conjunta com Espanha assinada pela Cinetel, recebeu 1.150.000.
Entre os documentários destaca-se «Frosty Blue Forget-Me-Nots», que acompanha uma historiadora ucraniana refugiada no Luxemburgo, mantida acordada pelo ruído de uma siderurgia enquanto escreve ao marido que ficou no país a combater. A obra, co-produzida com a Roménia, arranca em outubro. Do lado da escrita e do desenvolvimento, o valor mais alto — 96.000 euros — foi atribuído a «Le chant des statues», projecto XR da Zeilt Productions.
O comité de selecção desta sessão foi presidido por Meinolf Zurhorst e integrou ainda Karin Schockweiler, France Orsenne, Sarah Bamberg e Guy Daleiden, com secretariado de Alexandra Dondelinger. O organismo reúne quatro vezes por ano. A próxima sessão está marcada para novembro.


