A abertura das urnas nas eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe ficou marcada pela reduzida participação dos eleitores e por dois bloqueios a sul da capital. Nas primeiras duas horas de votação, o movimento foi escasso. Ainda assim, a esmagadora maioria das assembleias arrancou à hora prevista.
Os dois bloqueios registaram-se no Ilhéu das Rolas e na Praia de Messias Alves, onde não foi consentida a entrada das urnas. O balanço foi feito pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Jeudiger do Nascimento, numa conferência de imprensa citada pelo Jornal Tropical. Em algumas mesas, houve necessidade de substituir membros por falta de comparência ou por atraso dos que estavam designados.
Noutros locais, o voto ainda não tinha começado — e não por qualquer obstrução. De acordo com a agência Lusa, o responsável explicou que havia pessoas junto às urnas sem exercerem o direito de sufrágio. Acredita, contudo, que o quadro se resolva ao longo do dia. E deixou um apelo directo: «Se as pessoas estão com raiva, este é o momento de expressar essa raiva fazendo uma opção.» Rematou: «Não podemos adiar o destino do país e não votar não significa que as coisas fiquem resolvidas. Agora o povo é o juiz.»
Para este acto eleitoral funcionaram 358 assembleias de voto. A maior parte, 287, ficou em território são-tomense, repartida por seis distritos e pela Região Autónoma do Príncipe; as restantes distribuíram-se pela Europa, com 32 em Portugal, e por quatro países africanos, com 14. As urnas tinham fecho marcado para as 18h00. Mais de 142 mil eleitores foram chamados a escolher o próximo chefe de Estado, num escrutínio atravessado por crispação política, mas sem incidentes de maior.
Quatro nomes disputaram a corrida. O actual Presidente, Carlos Vila Nova, teve como principal adversário Nito d’Abreu. Os outros dois candidatos, Eugénio Tiny e Miques João, concorreram sem apoio partidário e com campanhas praticamente inexistentes. Há ainda o caso de Jorge Bom Jesus, que chegou a oficializar a candidatura antes de anunciar a desistência fora do prazo legal — o seu nome consta do boletim, mas qualquer voto que lhe seja dirigido é nulo.
No terreno estiveram várias missões internacionais de observação: da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP). Os dados definitivos do recenseamento automático fixaram o universo eleitoral em 142.191 pessoas, das quais 121.670 no arquipélago e 20.521 na diáspora — 15.917 em cinco países europeus e 5.324 em quatro países africanos.


