As condições de acesso ao crédito deterioraram-se para as empresas da zona euro no primeiro trimestre de 2026, com uma subida expressiva nas taxas de juro dos empréstimos bancários e um agravamento generalizado dos custos de financiamento, segundo os resultados da mais recente sondagem sobre o Acesso ao Financiamento das Empresas, divulgada pelo Banco Central Europeu.
De acordo com os dados apurados, 26% das empresas inquiridas reportaram um aumento nas taxas de juro aplicadas aos empréstimos bancários, face a apenas 12% no trimestre anterior. O fenómeno afectou de forma semelhante tanto as pequenas e médias empresas como as grandes empresas. Paralelamente, 37% das empresas identificaram subidas nos custos associados ao financiamento, como taxas e comissões, e 14% referiram o endurecimento dos requisitos de garantia exigidos pelas instituições bancárias. A disponibilidade global de crédito registou uma ligeira deterioração, passando de -2% para -3% em comparação com o último trimestre de 2025.
O clima económico surge como um dos principais factores a condicionar o acesso ao financiamento. Cerca de 26% das empresas apontaram a percepção geral sobre a economia como um constrangimento relevante, um valor superior aos 20% registados na ronda anterior. Embora se tenha verificado uma ligeira maior abertura por parte dos bancos para conceder crédito, as empresas revelaram uma visão mais cautelosa sobre a evolução das suas vendas e resultados, com 8% a expressarem perspectivas negativas.
No que respeita à facturação, o panorama manteve-se praticamente inalterado nos últimos três meses, com apenas 1% das empresas a reportar crescimento, abaixo dos 7% registados no trimestre precedente. Ainda assim, as expectativas para o próximo trimestre são consideravelmente mais optimistas, com 29% das empresas a anteciparem uma recuperação das receitas.
Do lado dos custos, as empresas prevêem aumentos significativos tanto nos preços de venda como nos insumos não relacionados com a mão-de-obra. Os preços de venda deverão crescer 3,5%, acima dos 2,9% anteriores, enquanto os custos de energia e matérias-primas poderão subir até 5,8%. As expectativas de inflação a um ano subiram para 3,0%, face a 2,6% na sondagem anterior, ao passo que as projecções a médio prazo, a três e cinco anos, se mantiveram estáveis em 3,0%. O agravamento destas projecções é em grande parte atribuído aos efeitos do conflito no Médio Oriente sobre os mercados de energia e de mercadorias.
A sondagem foi realizada entre 19 de Fevereiro e 1 de Abril de 2026, abrangendo 10.544 empresas da zona euro. Os resultados revelam ainda uma maior dispersão nas expectativas de inflação, com 65% das empresas a identificarem riscos ascendentes nas suas projecções a cinco anos, sinalizando um ambiente de incerteza que exige acompanhamento atento por parte das autoridades monetárias e dos responsáveis pela política económica.


