Um aumento de 45 por cento face ao ano anterior levou o Brasil a recuperar o primeiro lugar no ranking global dos destinos preferidos pelo capital chinês, posição que o país não ocupava desde 2021. Com 6,1 mil milhões de dólares aplicados em dezenas de projectos ao longo de 2025, o país sul-americano concentrou 10,9 por cento de todo o investimento externo chinês, de acordo com dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e noticiados pela Reuters.
A conjugação de uma moeda depreciada, um vasto mercado consumidor, abundantes recursos naturais e um perfil energético cada vez mais orientado para as energias limpas colocou o Brasil numa posição de destaque singular. Tulio Cariello, director de conteúdos e investigação do CEBC, sublinhou que são raros os países que reúnem simultaneamente todas essas características, o que torna o mercado brasileiro particularmente atractivo para as empresas chinesas que procuram diversificar a sua presença na América Latina.
O sector eléctrico mantém-se como o maior receptor de capital chinês, mas foi a mineração que registou o crescimento mais expressivo, com investimentos a triplicar em 2025. O sector automóvel ocupou o terceiro lugar, representando 15,8 por cento do total investido, impulsionado pela expansão de marcas como a GWM e a BYD, que adquiriram antigas fábricas de construtoras ocidentais e as reconverteram em centros de produção de veículos eléctricos e híbridos. O capital chinês alargou ainda a sua presença a áreas como as tecnologias de informação, a logística, o fabrico de electrónica, os serviços de economia digital e até a restauração rápida. No sector da electrónica de consumo, a Vivo Mobile lançou em 2025 a sua marca de smartphones Jovi, cujo director de produto, Andre Varga, descreveu o Brasil como uma “prioridade estratégica de longo prazo”, apontando para um mercado ainda concentrado em poucos operadores e com amplo espaço para diferenciação.
Para o futuro, o CEBC antecipa que o fluxo de investimento continuará a ser moldado pelas políticas internas de transição energética e pelas dinâmicas geopolíticas globais, com Cariello a projectar uma intensificação nos sectores da mineração, das novas energias e da indústria em geral, onde o crescimento tem sido já considerável.


