O custo dos bens alimentares mais consumidos pelas famílias angolanas voltou a agravar-se no primeiro semestre deste ano, com uma subida média de 8% nos mercados informais e de 5% nos supermercados, num quadro em que a sazonalidade e a lei da oferta e da procura continuam a ditar os preços. De acordo com o Expansão, o encarecimento foi impulsionado sobretudo pelo aumento de 18% no preço da caixa de peixe carapau de 20 kg e de 15% na caixa de óleo alimentar, dois produtos centrais na alimentação diária da população.
O cabaz de 22 produtos seleccionados pelo semanário no mercado informal passou de 125.091 Kz para 134.606 Kz entre janeiro e junho, um acréscimo de 9.515 Kz em apenas seis meses. A subida, medida nos mercados do Catinton e da Asa Branca, deveu-se essencialmente ao encarecimento da caixa de carapau de 20 quilos, mais 9.000 Kz no período, e da caixa de óleo Tio Lucas de 12 litros, mais 3.800 Kz. No caso do pescado, o agravamento está ligado à proibição de captura do carapau entre 1 de julho e 31 de agosto, o período de veda anual destinado a proteger a reprodução da espécie e a garantir a sustentabilidade da actividade pesqueira.
Em sentido inverso, alguns produtos ficaram mais baratos. A farinha musseque caiu cerca de 50% por quilo — de 900 Kz em janeiro para uma média de 450 Kz no final de junho —, o cartão de 30 ovos desceu 1.450 Kz e a caixa de 10 kg de frango também recuou. Os legumes, porém, seguiram a tendência oposta no mercado do Catinton: o quilo de tomate subiu de 667 Kz para 1.508 Kz e o de pimento de 500 Kz para 1.453 Kz. Nos supermercados Maxi, Kero e Candando, onde o Expansão recolhe preços, os maiores aumentos incidiram no azeite Galo (+2.500 Kz), no leite líquido Mimosa (+617 Kz) e no óleo Fula (+505 Kz), enquanto o quilo de carapau desceu 1.125 Kz, por o peixe disponível na última semana de junho ser mais pequeno do que em janeiro.
A escassez de oferta continua a empurrar os preços para cima, com variações que se sentem ao dia: no Catinton, a caixa de tomate oscila entre 15.000 e 19.000 Kz, a rede de batata rena entre 25.000 e 30.000 Kz e a de cebola entre 40.000 e 60.000 Kz. Segundo uma comerciante que preferiu o anonimato, a maioria dos produtos chega das províncias do Cuanza Sul, Benguela, Huambo e Huíla, mas em pequenas quantidades. «Aqui os preços variam diariamente e temos de reduzir a quantidade dos produtos para podermos lucrar, porque muitos fornecedores trazem poucas toneladas e vendem mais caro», explicou.
Perante a dificuldade em pôr comida na mesa, muitas famílias recorrem à «sócia», em que duas ou mais pessoas se juntam para comprar um produto e depois o repartem. É o caso de Maria T., com um agregado de nove membros, que gasta entre 190.000 e 200.000 Kz por mês, valor muitas vezes insuficiente. «Faço as minhas compras no mercado do Catinton e, para que durem o mês inteiro, tenho de fazer sócia de quatro ou cinco tipos de frescos e gasto, em média, 110.000 Kz. Os frescos são os mais caros e não duram. Os legumes estão cada vez mais caros; já não há cebola cujo montinho custe 200 Kz e quatro pimentos médios custam 500 Kz», afirmou. Já Emanuela T., que faz compras quinzenais no Kero, notou as maiores alterações no leite em pó, nos ovos e no feijão: «Entre janeiro e junho, os preços subiram muito. Em casa somos sete e gastamos, em média, 300.000 Kz.»


