A língua portuguesa é o fio invisível que mantém unidas as comunidades lusas espalhadas pelo mundo — acima das fronteiras, dos regimes e das distâncias. É esta a mensagem central que a Presidência da República enviou ao Letzebuerg Hoje por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, numa saudação dirigida especificamente aos portugueses que residem fora do país.
Na mensagem, o Presidente da República sublinha que a língua portuguesa é uma pertença que dispensa fronteiras — uma comunhão que não se troca, apenas se partilha. Evocando Camões, recorda que Os Lusíadas foram escritos longe de Portugal, sugerindo que talvez só se veja um país inteiro quando se está suficientemente distante dele. O gesto tem uma ressonância particular para quem partiu carregando a língua como bagagem, ou para quem nasceu longe e aprendeu o que é Portugal pela voz de quem ficou com saudades.
O chefe de Estado destaca ainda a universalidade do português: uma língua que não pertence a um único povo, que foge a qualquer apropriação e que é, antes, de todos os que a aprendem. Com muitas falas, sotaques e timbres, diversa nas suas qualidades e pródiga a unir culturas, o português afirma-se como expressão viva da actualidade e dos afectos que chegam a todas as comunidades lusófonas no mundo. Palavras como “saudade” — sem tradução possível — são apontadas como prova do valor singular e das sonoridades que despertam a curiosidade de outros povos.
A mensagem encerra com uma nota de proximidade: mais do que as características que os regimes ou as circunstâncias traçam como identitárias, é a língua que persiste e une. “Com a língua portuguesa estamos juntos”, conclui a Presidência, numa saudação de Feliz Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


