O acesso a dois dos mais avançados modelos de inteligência artificial actualmente disponíveis foi abruptamente suspenso para todos os cidadãos estrangeiros, na sequência de uma directiva de controlo de exportações emitida pelo governo dos Estados Unidos por motivos de segurança nacional. A medida abrange os modelos Fable 5 e Mythos 5 da empresa Anthropic, responsável pelo assistente Claude, e obrigou a companhia a desactivar de imediato estes sistemas para a totalidade dos seus utilizadores, a fim de assegurar o cumprimento da ordem. De acordo com a Al Jazeera, as agências governamentais norte-americanas instruíram a empresa a impedir qualquer acesso por parte de estrangeiros, invocando preocupações de segurança nacional que não foram detalhadas.
A directiva foi recebida na sexta-feira tendo a carta omitido qualquer explicação específica sobre a natureza das preocupações invocadas. A proibição estende-se aos estrangeiros que se encontram em território norte-americano, incluindo os próprios colaboradores da Anthropic, o que forçou a companhia a cortar o acesso a todos sem aviso prévio e com efeito imediato. Os restantes modelos da empresa não foram afectados pela ordem, permanecendo disponíveis nas condições habituais.
A tecnologia que sustenta o modelo Mythos é particularmente eficaz a detectar vulnerabilidades em programas informáticos, algumas das quais permaneciam por descobrir há décadas, capacidade que tem sido aproveitada por autoridades norte-americanas e por empresas seleccionadas para corrigir lacunas de segurança. Desde o início, contudo, subsistiu o receio de que tal capacidade pudesse transformar-se numa perigosa arma cibernética caso caísse em mãos erradas. O modelo Fable 5, lançado esta semana, assenta na tecnologia Mythos, mas com as suas capacidades nos domínios da cibersegurança e da biotecnologia bloqueadas, enquanto o Mythos 5, a versão integral não pública, deveria continuar reservado a agências governamentais e a parceiros empresariais seleccionados para reforçar os respectivos sistemas.
A empresa sublinhou ter recebido até ao momento apenas informação parcial e afirmou ter analisado o relatório que, na sua avaliação, terá motivado a decisão, concluindo que este se referia a uma capacidade limitada de rever código de programas específicos e corrigir erros — uma funcionalidade que, segundo a Anthropic, modelos concorrentes como o GPT-5.5 da OpenAI também possuem. A companhia manifestou discordância quanto ao bloqueio de um software utilizado por centenas de milhões de pessoas, recordando que as medidas de segurança do Fable 5 foram exaustivamente testadas. No início de junho, a Anthropic já havia proposto que as principais empresas de inteligência artificial coordenassem entre si uma pausa no desenvolvimento de sistemas avançados, alertando que a velocidade da evolução tecnológica acarreta o risco de a humanidade perder o controlo, e defendendo, em texto publicado no seu blogue, que seria benéfico para o mundo dispor da opção de abrandar ou suspender temporariamente esse desenvolvimento.


