A propagação do VIH/SIDA em Timor-Leste está a atingir de forma desproporcionada a população masculina, uma tendência que preocupa as autoridades de saúde do país. A Clínica Bairo-Pite, na capital Díli, contabiliza actualmente 338 pacientes activos com VIH/SIDA, dos quais 238 são homens e 100 são mulheres, segundo noticia o jornal timorense The Dili Weekly. Entre Janeiro e Março de 2026 foram detectados 17 novos casos de infecção, 12 dos quais em homens e cinco em mulheres.
«Estes números mostram que a maioria dos pacientes são homens. Isto exige uma maior atenção nos esforços de prevenção, especialmente para este grupo», afirmou aos jornalistas o presidente da Fundação Clínica Bairo-Pite Lanud (FCBL), Inácio dos Santos. O responsável sublinhou que a maioria dos casos ocorre entre pessoas em idade produtiva: perto de 80% das infecções detectadas na clínica dizem respeito a jovens, sobretudo estudantes do ensino secundário e universitário com mais de 20 anos, enquanto os restantes casos envolvem pessoas com mais de 40 anos.
Apesar de o VIH/SIDA não ter cura, o tratamento na clínica decorre com normalidade e os pacientes recebem medicação anti-retroviral (ARV) para controlar o vírus, mantendo, de um modo geral, disciplina no seguimento terapêutico. O principal desafio reside nos doentes que abandonam o acompanhamento médico. «Até ao momento, há apenas três pacientes perdidos para o tratamento, dois homens e uma mulher. A maioria deles vem de outros municípios, como Oecusse, Bobonaro e Suai, onde por vezes é difícil fazer o seguimento», explicou Inácio dos Santos, acrescentando que, no último ano, a equipa de saúde conseguiu localizar e reintegrar no tratamento muitos pacientes anteriormente perdidos.
Para o presidente da FCBL, a educação e a sensibilização são os factores mais importantes para reduzir a transmissão do vírus no país. «A prevenção é a chave. Precisamos de realizar campanhas de sensibilização mais fortes junto dos jovens, para que compreendam os riscos e saibam proteger-se», defendeu, lembrando que os programas educativos sobre o VIH/SIDA continuam a ser desenvolvidos nas escolas e nas comunidades para aumentar o conhecimento sobre a doença e reduzir o estigma. As famílias e a sociedade devem igualmente participar nos esforços de prevenção, uma vez que a não utilização de protecção nas relações sexuais é um dos principais factores de transmissão. «A forma mais eficaz de prevenir o VIH é usar preservativos e praticar o autocontrolo durante as relações sexuais», reafirmou.
A tendência crescente das infecções preocupa também o presidente do Instituto Nacional de Combate ao VIH/SIDA (INCSIDA), Daniel Marçal, citado pelo mesmo jornal, segundo o qual muitos jovens se encontram em situações de alto risco por disporem de demasiada liberdade e não terem conhecimentos suficientes sobre prevenção. «Muitos jovens não compreendem plenamente como proteger-se. É por isso que o número de casos continua a aumentar», afirmou, garantindo que o instituto prossegue os esforços através de campanhas de sensibilização, educação pública e distribuição de informação em todo o país, com o objectivo de reduzir a taxa de transmissão do VIH no futuro.


