O progresso no combate à corrupção em África continua lento e demasiado desigual, com a situação a deteriorar-se em 28 países que albergam cerca de 59% da população do continente, apesar de a média continental ter melhorado desde 2020 e se encontrar hoje ligeiramente acima do nível de 2016. A conclusão consta de uma nova análise da Fundação Mo Ibrahim, divulgada por ocasião do Dia Africano Anticorrupção, que se assinala a 11 de julho, segundo noticia o Jornal Tropical.
A análise baseia-se em dados preliminares do próximo Índice Ibrahim de Governança Africana (IIAG) de 2026, cuja publicação está prevista para 31 de outubro de 2026. Principal instrumento da Fundação para avaliar e acompanhar o desempenho da governança nos 54 países africanos, a edição de 2026 cobrirá a década de 2016–2025 e medirá 96 indicadores, distribuídos por 16 subcategorias e quatro categorias principais, abrangendo áreas como saúde, educação, segurança, participação, inclusão e oportunidades económicas.
Entre as principais conclusões destaca-se o contraste entre o sector privado e o sector público: enquanto a corrupção no sector privado registou a maior melhoria do período, o desempenho do sector público manteve-se inalterado entre 2016 e 2025. O estudo sublinha ainda que combater a corrupção exige uma responsabilidade colectiva, na qual governos, empresas, intermediários e facilitadores externos têm todos um papel a desempenhar na reconstrução da confiança dos cidadãos nas instituições.
As disparidades entre países permanecem acentuadas. As Seychelles registaram a maior melhoria da década e ocupam agora o primeiro lugar do índice, a par do Ruanda, ao passo que o Sudão do Sul figura na última posição, embora vários países apresentem sinais de recuperação após quedas anteriores. Em contrapartida, a percepção pública sobre o combate à corrupção deteriorou-se mais do que qualquer outro indicador, evidenciando que a recuperação é possível, mas que a confiança dos cidadãos continua a enfraquecer.


