O consumo de antibióticos no Luxemburgo continua acima da média europeia e tem vindo a aumentar desde 2021, levantando preocupações quanto ao desenvolvimento de bactérias resistentes aos tratamentos. Os dados constam do relatório anual de 2024 sobre a utilização de antibióticos, a resistência bacteriana e a presença de resíduos destes medicamentos no país, recentemente divulgado pelo Governo do Luxemburgo. Apesar de os níveis de resistência registados serem, na maioria dos casos, inferiores às médias europeias, as autoridades de saúde alertam para a necessidade de reduzir o consumo desnecessário destes medicamentos.
A medicina geral continua a ser o principal sector responsável pela prescrição de antibióticos, verificando-se uma maior proporção de receitas destinadas às mulheres. O relatório recomenda privilegiar, sempre que possível, antibióticos de espectro estreito, que actuam sobre grupos específicos de bactérias, evitando o recurso excessivo a medicamentos de largo espectro. A vacinação, a higiene das mãos, a utilização de máscara nas situações recomendadas e o reforço das medidas preventivas nos estabelecimentos de saúde são igualmente apontados como fundamentais para travar a propagação de infecções. A dimensão do problema é significativa. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), as infecções provocadas por bactérias resistentes aos antibióticos causam mais de 35 mil mortes por ano na Europa.
Na saúde animal, os resultados são mais encorajadores. As vendas de antibióticos destinados a animais produtores de alimentos têm diminuído no Luxemburgo desde 2013, enquanto os indicadores de resistência bacteriana apresentam resultados globalmente favoráveis em comparação com a média europeia e os países vizinhos. As análises realizadas em 2024 também não detectaram irregularidades relacionadas com resíduos de antibióticos nos géneros alimentícios e nos alimentos para animais. Já no ambiente, foram identificados resíduos destes medicamentos nas águas superficiais, embora as concentrações registadas não tenham ultrapassado os limites de qualidade ambiental propostos a nível europeu para determinados antibióticos. O Governo defende, ainda assim, uma vigilância mais rigorosa e a utilização de antibióticos considerados críticos apenas quando forem realmente necessários.
O Luxemburgo já alcançou dois dos objectivos europeus previstos para 2030 no combate à resistência aos antibióticos, incluindo a redução de determinadas infecções resistentes, mas continua a enfrentar dificuldades na diminuição do consumo e na promoção de prescrições mais adequadas. O relatório, desenvolvido no âmbito do primeiro Plano Nacional de Antibióticos 2018-2022, prolongado até 2024, contribuiu também para a preparação de um segundo plano nacional. As autoridades pretendem reforçar a recolha de dados e a vigilância conjunta dos sectores da saúde humana, veterinária e ambiental, seguindo a abordagem «Uma Só Saúde». A sensibilização será igualmente intensificada em Novembro, com a participação do Luxemburgo no Dia Europeu de Informação sobre os Antibióticos, a 18 de Novembro de 2026, e na Semana Mundial para o Bom Uso dos Antimicrobianos, entre 18 e 24 de Novembro. A campanha do Ministério da Saúde e da Segurança Social será dirigida aos profissionais de saúde e aos pacientes, procurando preservar a eficácia de medicamentos essenciais no tratamento de infecções.



