A coragem de Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que salvou milhares de refugiados durante a Segunda Guerra Mundial, será recordada numa conferência gratuita, marcada para 20 de Outubro, no Museu Nacional da Resistência e dos Direitos Humanos, em Esch-sur-Alzette. Entre as pessoas que beneficiaram da sua intervenção encontravam-se numerosos judeus do Luxemburgo e membros da família grão-ducal.
A conferência, organizada em colaboração com a Câmara Municipal de Esch-sur-Alzette, será apresentada pela equipa do Museu Aristides de Sousa Mendes. A sessão decorrerá em português, com tradução simultânea para francês, permitindo ao público francófono conhecer melhor a história de um dos portugueses que mais se destacou na defesa dos direitos humanos durante a guerra.
Em 1940, quando milhares de pessoas procuravam escapar à perseguição nazi, o regime de António de Oliveira Salazar impunha fortes restrições à entrada de refugiados em Portugal. Aristides de Sousa Mendes, então cônsul português em Bordéus, decidiu desobedecer às instruções oficiais. Criou uma rede que lhe permitiu emitir mais de 30 mil vistos de trânsito, abrindo uma possibilidade de fuga a pessoas que se encontravam retidas em França.
A decisão teve consequências devastadoras para o diplomata. Suspenso das suas funções e impedido de trabalhar para sustentar a família, Aristides de Sousa Mendes passou os últimos anos de vida em condições de grande precariedade. Morreu em 1954, na miséria, depois de ter sacrificado a carreira diplomática para salvar vidas.
O reconhecimento internacional chegou depois da sua morte. Em 1966, o memorial israelita Yad Vashem atribuiu-lhe o título de «Justo entre as Nações», distinção concedida a pessoas não judias que ajudaram a salvar judeus durante o Holocausto. Começava assim um longo processo de reabilitação da sua memória e da sua honra.
A ligação de Aristides de Sousa Mendes ao Luxemburgo confere particular significado à conferência de Esch-sur-Alzette. O seu gesto permitiu que refugiados luxemburgueses, incluindo membros da família grão-ducal, encontrassem uma saída perante o avanço da Alemanha nazi. É também essa dimensão da história comum entre Portugal e o Grão-Ducado que estará em destaque.



