Uma fraude informática de 407.755 euros na comuna de Differdange continua a provocar polémica política, com a maioria LSAP-CSV a defender a actuação dos serviços municipais e a rejeitar as críticas da oposição. Num comunicado enviado ao Lëtzebuerg Hoje por Gerard Hartung, a maioria exige um esclarecimento rigoroso do caso e considera que as acusações públicas não devem substituir o trabalho das autoridades responsáveis pela investigação.
Segundo o comunicado, a fraude teve origem num ataque informático à conta de correio electrónico de um gabinete de arquitectura que trabalhava com a autarquia. Os burlões conseguiram obter informações que lhes permitiram falsificar documentos de forma suficientemente convincente para levar os serviços municipais a transferir 407.755 euros para uma conta controlada pelos criminosos. Mesmo um pedido de confirmação enviado pela comuna foi interceptado e respondido pelos autores da fraude, impedindo que o esquema fosse detectado nessa fase.
A maioria LSAP-CSV garante que a autarquia reagiu imediatamente após descobrir a burla, apresentando uma queixa-crime e contactando os bancos envolvidos para tentar localizar e recuperar o dinheiro. O gabinete de arquitectura também foi informado e apresentou uma queixa contra desconhecidos. O comunicado esclarece ainda que não foi o servidor informático da empresa a ser comprometido, mas sim a sua conta de correio electrónico. A maioria contesta igualmente a informação de que o gabinete teria alertado previamente a comuna, assegurando que foi precisamente o contrário.
As críticas dirigem-se sobretudo aos partidos Déi Gréng, DP e Déi Lénk, que organizaram uma conferência de imprensa sobre o caso. A maioria considera que a iniciativa alimentou dúvidas sobre a transparência da administração municipal e do colégio de burgomestre e vereadores, sem contribuir para esclarecer os acontecimentos. Segundo o documento, os representantes da oposição foram informados durante a última reunião do conselho comunal e convidados a solicitar esclarecimentos adicionais aos serviços competentes. Até à data do comunicado, nenhum eleito da oposição teria recorrido a essa possibilidade.
O comunicado rejeita também comparações com um caso ocorrido em Dudelange, alegando que, nessa situação, esteve envolvida uma ligação fraudulenta de phishing, enquanto em Differdange o mecanismo utilizado foi diferente. A maioria defende que as circunstâncias de cada ocorrência devem ser analisadas individualmente, evitando conclusões precipitadas sobre eventuais responsabilidades.
Quanto à segurança informática, a maioria LSAP-CSV afirma que Differdange já tinha adoptado medidas de protecção antes da fraude. Entre elas estão auditorias de segurança, formação dos funcionários e trabalhos de adaptação às exigências da directiva europeia NIS2. Segundo o comunicado, estas iniciativas já permitiram impedir vários ataques informáticos, embora nenhuma medida consiga eliminar completamente os riscos.
A recuperação dos 407.755 euros permanece uma prioridade, tal como o apuramento das responsabilidades e a eventual melhoria dos mecanismos de controlo. A maioria municipal assegura que continuará a colaborar com as autoridades e a procurar todas as possibilidades de reaver os fundos públicos. O comunicado não indica, contudo, se alguma parte do montante já foi recuperada. As críticas à oposição e a descrição das diligências municipais correspondem à posição da maioria LSAP-CSV, expressa no documento enviado ao Lëtzebuerg Hoje.



