A libertação imediata dos detidos sem o devido processo legal, o restabelecimento da liberdade de manifestação e a garantia dos direitos à oposição democrática e à liberdade de imprensa estão entre as exigências apresentadas pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH). Segundo a DW, o presidente da organização, Bubacar Turé, defende igualmente investigações independentes às alegadas violações dos direitos humanos registadas nos últimos anos na Guiné-Bissau, sustentando que não pode existir paz nem Estado de direito sem justiça.
A responsabilização deve abranger todos os autores de crimes ou abusos, independentemente do estatuto ou da posição que ocupem, defende Turé. O dirigente da LGDH considera que a justiça constitui uma condição indispensável para ultrapassar a actual crise e recuperar a confiança nas instituições, num contexto marcado por preocupações em torno das liberdades fundamentais e do funcionamento do Estado de direito.
Também as eleições previstas para Dezembro levantam sérias reservas. Bubacar Turé considera que não estão reunidas as condições políticas e técnicas necessárias para garantir a realização do escrutínio, salientando a ausência de um calendário e de uma estratégia eleitoral claramente definidos. Vários prazos previstos na lei já deveriam, segundo o responsável, ter sido cumpridos.
A saída da crise passa, na perspectiva da LGDH, pela abertura urgente de um diálogo nacional inclusivo, capaz de aproximar os actores políticos, promover reformas das instituições eleitorais e reforçar a independência do sistema judicial. Segundo a DW, Turé advertiu que, sem essas condições, uma eventual eleição poderá limitar-se a transferir a crise actual para mais tarde, com consequências imprevisíveis para a Guiné-Bissau.



