A diversificação da economia tornou-se uma questão de segurança nacional para Angola, num contexto internacional em que disputas comerciais, domínio tecnológico, acesso a matérias-primas e controlo de infra-estruturas pesam cada vez mais nas decisões dos Estados. Segundo o jornal Expansão, a elevada dependência das receitas petrolíferas deixa o país particularmente exposto a choques externos, numa altura em que a geoeconomia voltou ao centro das estratégias internacionais.
A edição de Junho de 2026 da revista Finance & Development, do Fundo Monetário Internacional (FMI), aponta precisamente para esse regresso da geoeconomia, com escolhas económicas condicionadas não apenas pela eficiência, mas também pela segurança e resiliência. Os dados da Consulta do Artigo IV do FMI para Angola mostram a dimensão do desafio: a quebra da produção petrolífera afectou as contas públicas e externas, enquanto as exportações de petróleo e gás deverão representar cerca de 22,4% do PIB em 2026 e as receitas petrolíferas aproximadamente 7,6%. Uma queda dos preços ou da produção traduz-se rapidamente em menos divisas e receitas fiscais, com efeitos sobre a taxa de câmbio, inflação, investimento e crescimento.
O Corredor do Lobito assume, neste quadro, uma importância que ultrapassa o transporte ferroviário. A ligação de Angola à República Democrática do Congo (RDC) e, futuramente, à Zâmbia abre caminho à integração nas cadeias de cobre, cobalto e outros minerais estratégicos, mas o ganho dependerá do valor que permanecer no território angolano. Segundo o Expansão, limitar o projecto ao transporte de minerais congoleses até ao Porto do Lobito deixaria Angola essencialmente como país de trânsito. Transformar o eixo Benguela-Huambo-Moxico num corredor económico, capaz de estimular agricultura, indústria e logística, permitiria alargar a base produtiva. A estabilidade da RDC entra igualmente nesta equação: perturbações nas zonas mineiras congolesas podem comprometer fluxos comerciais, elevar custos e afectar investimentos ligados ao corredor.
A protecção das plataformas petrolíferas, das rotas marítimas e de outras infra-estruturas críticas no Golfo da Guiné completa esta estratégia, tal como uma política externa capaz de trabalhar com diferentes parceiros, incluindo Estados Unidos e China, sem criar novas dependências. Diversificar mercados e fontes de financiamento, aumentar a produção alimentar e reforçar infra-estruturas passam, assim, a funcionar também como mecanismos de redução do risco externo. Na era da geoeconomia, a margem de decisão económica de Angola é parte da própria segurança do país.



